sábado, 10 de dezembro de 2016

Só se vê na Bahia (será?)


Prefeitos baianos e seus familiares, em torno de 600 pessoas, se hospedaram num resort de luxo com diárias médias de R$ 1 mil por cada hóspede, para discutir o teto de gastos dos municípios.

O encontro foi organizado pela União dos Prefeitos da Bahia – UPB no  resort cinco estrelas Vila Galé Mares, na concorrida Praia de Guarajuba. Entre as pautas de discussão estava a PEC 55, que impõe teto dos gastos nas políticas públicas de Saúde e Educação. Parece piada.

Foto: Ilustrativa

The Voice Brasil

Há tempos sem assistir o The Voice Brasil, consegui driblar o sono nesta quinta feira, e entre uma cochilada e outra, pude ver a quantas anda o programa revelador de belas vozes. O sono não interrompido me faria bem melhor que expor meus ouvidos àquela gritaria desembestada, em cima de músicas americanas, em sua totalidade. Nada contra a música americana, pelo contrário até, uma das mais belas e originais do mundo, estão ai o jazz e blues pra nos redimir, mas nem tudo é audível, já que lá como cá, há lixo musical aos montes.

Macaquear cantores ou cantoras americanas pode até render aos incautos alguma notoriedade, mas efêmera e sem qualquer originalidade. Creio que os diretores musicais destes programas ou mesmo seus técnicos (?) responsáveis por seus escolhas na continuidade do programa, bem que poderiam sugerir, como educação vocal, audições de João Gilberto, Chat Becker, Al Jarreau, Rosa Passos e mais, depois eles voltariam aos seus estilos, suas identificações. Mas, não sem antes sentir “o que consegue a voz mansa”.

Foto: Ilustrativa

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Sucesso internacional


Reprodução: Charlie Hebdo

Inferno astral


Duas noticias distintas, hoje, na imprensa, aparentemente sem nenhum conexão,  guardam entre si um viés comum, a intolerância. A primeira foi a prisão de um grupo neonazista, em Porto Alegre, suspeito de recrutar jovens brasileiros para lutar na guerra separatista da Ucrânia, fieis ao seu ideário político, contra judeus, negros e homossexuais; os nordestinos entram na cota da subliminaridade racial inferior. 

A outra diz respeito à tentativa do Internacional de Porto Alegre, também, em levantar junto ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva – STJD um assunto requentado e resolvido que é a difusa irregularidade na documentação do jogador Victor Ramos do Vitória em atuação no Campeonato Brasileiro da Serie A, desde o seu inicio.

Querendo com isso obrigar a perda de pontos pelo rubronegro baiano, em beneficio próprio, livrando-se assim do rebaixamento, praticamente consumado, para a Serie B, no próximo ano. Objetivo frustrado pela rejeição do STJD, aos baixos instintos do colorado gaúcho.

Em ambos os casos fica à mostra a arrogância, o preconceito sob uma superioridade, defendida e exposta por essa gente menor, desqualificada e podre, mesmo no âmbito do esporte, para quem a policia e a cela são convidados essenciais nesta farra estúpida.

Foto: Ilustrativa

Naquela mesa


Há 15 dias encontrei no auto-atendimento do Banco do Brasil um casal de amigos e contemporâneos de juventude. Após as saudações habituais, ela me perguntou se eu lembrava de uma mesa muita grande que havia na sala de nossa casa na Praça Getulio Vargas, aqui na cidade. Após o espanto inicial pela curiosidade, respondi: “claro”, lembrava sim, ao que ela complementou, pois esta mesma está comigo e quero me desfazer, e pensei em lhe procurar se não havia algum interesse de nossa parte ou de alguém da família, destino mais que natural para mesa grande. Agradeci a lembrança, o cuidado, mas não tinha como reaver a mesa e encontrar um lugar para ela nessas nossas moradas comprimidas, que são os apartamentos. Pelo menos aqueles das pessoas com quem me relaciono.

Mas, a mesa bateu forte em minha memória, como tantas vezes bati a cabeça, correndo e tentando me esconder das chicotadas de mãe Maria, quando ela disciplinadora, achava que havia algum sinal invadido por mim..., e como havia. Ali, Pedro meu pai, ocupando uma das cabeceiras reunia a sua numerosa prole na hora das refeições - em um silencio ensurdecedor, apenas quebrado por ele - rituais que ele pouco participava, em verdade, razão de seus compromissos comerciais em Senhor do Bonfim e Juazeiro.

Também, em uma das cabeceiras da mesa grande, mãe Maria colocava um copo d’água para ser abençoado, todas às 18 horas, durante a oração de Júlio Louzada, na Rádio Tupi do Rio. Hábito muito comum nas famílias religiosas do país, por muito tempo. Era ali, na mesa grande, que as manas espalhavam metros e metros de tecidos, para depois munidas de fita métrica e tesoura dar forma aos vestidos que logo estariam nos corpos de suas clientes em festas, casamentos e batizados.

Do meu lado, além de transformar a mesa grande em meu local de estudos, juntamente com outros colegas, servia em momentos de lazer em mesa de ping-pong para desespero de mãe Maria, cada vez que uma raquetada sem direção atingia a peça onde ficava a moringa, com a água que bebíamos, indo ao chão com o estrago previsível. Era o fim daquela partida e das próximas até o seu esquecimento, em nova partida. 

Naquela mesa estão faltando todos, quase todos, mas a saudade deles ainda dói em mim.

Foto: Meramente ilustrativa

O herói do sertão

 Charge: Simanca

Michael, eles não ligam prá gente!

Sempre que desço o Pelourinho, em direção ao Carmo/Largo do Santo Antonio ou ao Taboão para chegar ao Comércio, paro em frente ao casarão que serviu de locação para o clipe de Michael Jackson. O local se transformou em atração turística na grande estação ou mesmo em qualquer estaca, já que a cidade é sempre visitada em todos os meses do ano.

Funciona na porta de entrada do casarão uma pequena loja com produtos relacionados ao Olodum e a visita de Michael Jackson, onde o clipe de They don’t care about us roda ininterruptamente todos os dias a qualquer hora do dia. Aquele não é o clipe oficial da música, mas tem seu encanto por ter sido gravado no Pelourinho com cenas também no Morro Santa Marta, no Rio.

Em conversa com o proprietário da lojinha de bugigangas, e locatário do casarão, ele me confessou que o grande movimento do seu negócio decorre da cobrança de cinco reais para que as pessoas possam ir ao andar de cima fazer pose na mesma balaustrada onde Michel Jackson dançou. Os companheiros de viagem embaixo, no Largo, se encarregam de registrar o momento em suas câmaras digitais. Michael vive, pelo menos para o comerciante do Largo do Pelourinho. O clipe é maravilha!