terça-feira, 8 de maio de 2012

O fardo pesado da fama


Vi as tais fotos da atriz global na internet, cujo vazamento de seu computador foi parar na delegacia do bairro. Pelo que se sabe até o momento foi mesmo uma invasão de privacidade, tendo como pano de fundo um crime de extorsão. Até ai tudo bem, conduta irreparável quanto à denúncia e a repercussão no noticiário da imprensa. Esta mesma imprensa que é tratada aos pontapés pela atriz, que é conhecida pela sua grosseria e freqüente indisponibilidade no trato com repórteres e jornalistas. Luta-se pelo sucesso, pela fama, pela notoriedade e depois busca-se o anonimato comum a nós mortais. É o ônus que se paga por tantos bônus às vezes imerecidos amealhados ao longo da carreira.

Mas, das poucos fotos que vi, chamou a minha atenção o cenário onde algumas delas foram tiradas, já que se trata de uma atriz bem sucedida e que deve morar e freqüentar lugares compatíveis com sua popularidade e fama no mundo televisivo. O que é que aquela moça estava fazendo em um banheiro daqueles? Cenário pobre e sujo, próximo de banheiro de rodoviária, Estação da Lapa ou de posto de gasolina da Rio – Bahia, trecho da Bahia. São mistérios da fama!  

Foto: Carolina Dieckman 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Clube da Esquina - O mar de Minas



Talvez, somente a timidez mineira para justificar a ausência e falta de reconhecimento do Clube da Esquina junto a mídia, como um dos mais importantes movimentos dentro da música brasileira. Há críticos e historiadores que consideram o grupo mineiro como mais revolucionário para a nossa música que o Tropicalismo, o que gera controvérsia. Sou, por exemplo, tropicalista e admirador, mas também critico, dos baianos Caetano e Gil, responsáveis pelo arejamento e modernização da música brasileira, embora tenha Milton, Beto, Lô Borges, Wagner Tiso como músicos e artistas com cadeira cativa em minha discoteca. Faltou aos mineiros a loquacidade dos baianos, a capacidade de criar fatos, extravagâncias, polêmicas tão ao gosto da mídia, que mesmo condenando certas atitudes contribui por espalhar e sedimentar uma marca, um nome, independente do talento de cada um deles. Já os mineiros não, na deles, comendo quieto, pelas beiras, sem qualquer estardalhaço, construindo e consolidando, silenciosamente, carreiras como a de Milton que é um verdadeiro monólito dentro do nosso tão vasto mundo musical.

Pois Milton Nascimento e sua turma do Clube da Esquina completam este ano 40 anos de criação, que é na verdade o ano de lançamento do primeiro volume do disco Clube da Esquina, 1972, um álbum duplo que traz na capa duas crianças, uma branca e outra negra, sentadas num terreno baldio: Milton e Lô Borges. O disco é repleto de canções admiráveis com influência dos Beatles, toadas mineiras, psicodelia como em Um girassol da cor de seu cabelo, Tudo o que você podia ser, Cais, Cravo e canela, San Vicente, Clube da esquina, Saídas e bandeiras (“o que você diria dessa coisa que não dá mais pé”) e a regravação de Me deixa em paz de Monsueto em dueto de Milton com Alaíde Costa, é luxo só.

Em 1978 foi lançado o Clube de Esquina 2 que é uma continuidade e uma confirmação da usina musical que os mineiros trouxeram para a nossa música e que Credo, Canoa, canoa, Paixão e fé, Maria, Maria, Testamento, Canção amiga, Nascente são exemplos que orgulham e iluminam a careira de qualquer artista, brilhantes em tudo que fazem, sem pirotecnia nem teorias transcendentais.

Foto: Beto Guedes, Milton e Lô Borges

domingo, 6 de maio de 2012

Lua, lua, lua


No final da tarde fui Praça Getulio Vargas saborear, após algumas ausências, o beiju de Dona Mariinha, talvez o único e raro programa da cidade alegre. Na volta não contive a contemplação à imensa lua que se exibia vaidosa no céu sem nuvens desta cidade do interior. Porque nos grandes centros, na capital inclusive e principalmente, é quase impossível a visão impressionante e majestosa deste satélite do planeta Terra. Bela, clara, branca, abrigo e pasto do cavalo de São Jorge e, por alguns instantes, chão para aqueles babacas americanos que macularam seu solo como uma conquista para nada. Boa noite!

Sem príncipe encantado, nem bisturi.



“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”, segundo o rigor estético do poeta Vinicius de Moraes. Mas, mesmo estas infelicitadas pela natureza viram um sol nascer com o advento da cirurgia plástica. O Dr. Ivo Pitanguy, o pioneiro na área, trabalhou como nunca, tirando pés de galinhas ao redor dos olhos e boca, direcionando narizes, suspendendo seios caídos, extraindo bolsas de pele abaixo dos olhos, um corte e costura digno de Clodovil. De lá prá cá, as feias permaneceram assim porque quiseram ou porque a conta bancária estava tão caída quanto as suas mamas, ou então não foi escolhida por um príncipe encantado para realizar seu sonho de ficar um pouco bela, menos feia.  

Mas, mesmo estas foram à luta, atrás do bisturi, queriam milagres que nenhuma cirurgia resolveria, por mais habilidoso que fosse o cirurgião. Transformar, por exemplo, a saudosa Zezé Macêdo numa Ana Hickmann, não é trabalho para cirurgião, mas para Deus, que não voltaria atrás na sua criação. Se era a sua imagem e semelhança, não vem ao caso. Algumas tentativas neste sentido, até que foram feitas, mas o resultado não agradou a operada que quando se viu no espelho esbravejou: “Quero o meu dinheiro de volta”, armou barraco e rumou para o Superior Tribunal de Justiça, querendo reparação de danos que a natureza causou e que o cirurgião não foi capaz de remendar, claro. Por unanimidade o STJ decidiu que o médico não pode ser responsabilizado, já que o bisturi tem a sua limitação e não se pode, nem se consegue transformar Ronaldinho Gaúcho em um desses galãs da Globo. Compreensível!  

Foto: Ana Hickmann

Espanha - Longe, muito longe daqui.



A Presidente Dilma, o Itamaraty, a diplomacia brasileira enfim, algum órgão ou alguém precisa se pronunciar, agir, pois já passou da hora de uma atitude mais enérgica contra o governo espanhol e o tratamento dispensado a brasileiros que chegam a seu território. Os espanhóis que chegaram por aqui fugindo da ditadura do General Franco ou da Guerra Civil Espanhola e um pouco antes, na Primeira Guerra Mundial, tiveram uma acolhida humana e respeitosa e, por aqui constituíram famílias e empreendimentos comerciais vitoriosos com laços indissolúveis com o nosso país. E na pior da hipótese exige-se este mesmo tratamento, ainda que não se chegue fugido de algo ou de alguém.

O que fizeram, recentemente, com uma senhora de 77 anos no aeroporto de Madrid é cruel e desumano. Retiveram a idosa e sua neta que mora no país, sob a alegação de que a senhora não tinha carta convite para entrar no país. Coisa de policia e de má fé. Se Dona Dionísia estava acompanhada da neta que é casada e reside na Espanha, não haveria necessidade de qualquer carta convite. A suspeita de irregularidade na documentação e permanência do casal em solo espanhol não se sustenta, apenas serve de pretexto para o arbítrio galego, que manteve a senhora por três dias em uma cela pequena, para depois extraditá-la rumo de volta ao Brasil. Não há auto-estima que se agüente com um barulho desses. “Brasil, mostra a tua cara”. Que sexta economia mundial é essa?  

" É dos carecas que elas gosta(va)m mais"


Se seus cabelos caíram, fugiram, deram no pé, deixando sua cabeça feito um aeroporto de mosquitos, e você nunca acreditou na marchinha de carnaval que diz “é dos carecas que elas gostam mais”, seus problemas afinal estão próximos do fim. Cientistas japoneses, a partir de células troncos, conseguiram fazer nascer em camundongos, sem pêlos, fios de cabelos humanos, sinalizando que a calvície pode ser amenizada ou curada em breve.

Eike Batista, o homem mais rico do país, com a grana preta que tem, já pode sair na frente e financiar os pesquisadores japoneses na descoberta de uma cobertura capilar menos medonha que a que ele exibe em seus compromissos sociais e empresariais. O dinheiro é muito, mas não é tudo, principalmente para quem não se aceita calvo.

Enfim nem tudo mundo consegue extrair leite de pedras a exemplo de carecas famosos como Yul Brynner, Bruce Willis, Sean Conery, Lima Duarte ou do nosso saudoso Raul Cortez que incorporaram a calvície como um elemento sedutor para as suas conquistas amorosas. Já Silvio Santos, outro careca famoso e poderoso, que não se assumiu, encobriu seu aeroporto de moscas com um manto cabeludo que chega a enganar, graças um cabeleireiro particular que cuida de suas madeixas, enquanto os japoneses batucam por lá.     

"Veta, Dilma"



Cau Gomez - Charge