terça-feira, 15 de maio de 2012

Levanta, sacode a poeria e dá a volta por cima.



Foi uma disputa emocionante, própria do maior clássico do campeonato baiano. O empate em 3 x 3 beneficiou o Barcelona de Itinga, conforme o regulamento aprovado pela Federação Baiana de Futebol, que o deixou campeão após 10 anos sem saber o que era a comemoração de uma conquista como essa. O Vitória jogou para ganhar e só não conseguiu por falhas primárias de um goleiro que não vinha sendo o titular da equipe, mas demonstrou uma garra e uma vibração como só os rubronegros são capazes. Mesmo que não ganhasse o titulo, até pela campanha irregular durante todo o campeonato de 2012, mas a vitória pelo que o time foi em campo, naquele domingo de decisões, teria que ser rubronegra.

Mas, são coisas do futebol e, até conduta pouco esportiva, como do nosso artilheiro Neto Baiano, fica por conta do fervor da disputa, da busca da vitória, da incompreensão do resultado adverso, pelo que o time foi em campo. Agora é por a cabeça no lugar e lutar pela Copa do Brasil e por uma boa colocação na Segunda Divisão do Brasileiro e a volta à elite do futebol brasileiro, que é o seu lugar

domingo, 13 de maio de 2012

O malandro na praça outra vez.



Li na Isto É, ano passado, uma entrevista com Chico em que ele se dizia um músico sofrível, sem muito talento para criar harmonias e melodias, porem com relação às letras, às palavras, sem nenhuma modéstia, ele tinha habilidade. Aliás, muito hábil, hábil demais, já que faz com que as melodias venham a reboque de construções poéticas admiráveis, versos inesquecíveis em nossa música popular. Citar Rosa dos ventos, Construção, Retrato em branco e preto, Todo sentimento, Sinhá, Roda Viva, Olé olá, O que será é um exercício que beira a obviedade tal a gama de belas canções que Chico nos legou.

Pois, foi parte deste imenso e brilhante repertório que Chico nos brindou quinta feira passada, dia 09.05.12, com um show que só os grandes artistas são capazes. As canções do novo disco, lançado em novembro passado, não chegam a dominar a lista do repertório, mas servem como pano de fundo ou melhor pretexto para a apresentação de composições que não costumam frequentar os seus shows. Ana de Amsterdam, por exemplo, me remete ao seu espetáculo com Caetano no mesmo TCA em 1992 ou canções como Geni e o Zeppelin, De volta ao samba (“Pensou que eu não vinha mais, pensou. Cansou de esperar por mim”)Sob medida, refrescam a nossa memória como quem diz “a vida não é só isso que se vê, é muito mais”. Foi como uma espécie de suíte para a entrada de Se eu soubesse, sem a Thais Gulin, que estava na cidade, mas não como participação especial no show, teve o dueto preservado pela Bia Paes Leme, pianista, que se encarregou dos vocais. Nina, Sou eu, Sinhá foram apresentadas como quem dissessem há joia rara no pedaço.

Prezada Márcia, mais uma vez, nossos agradecimentos pela cortesia de nos proporcionar, de novo, uma noite de puro encantamento com a música deste grande artista brasileiro.    

sábado, 12 de maio de 2012

Coisas feias e de amor



A tecnologia, apesar dos inconvenientes, tem os seus e muitos encantos. A cantora Clara Nunes teve, após a sua morte, lançado um disco em que artistas convidados da gravadora Odeon na época, hoje EMI, se inseriram em gravações suas, fazendo duetos emocionantes e inusitados. Passeiam por sua voz e junto com ela, artistas como Milton Nascimento, João Nogueira, Chico Buarque, Alcione, Elba, Paulinho da Viola e Ângela Maria. Em um destes duetos fui surpreendido ao ouvir Clara com Ângela Maria na canção, mais que própria a ambas, À flor da Pele, com letra demolidora de Paulo César Pinheiro e melodia de Mauricio Tapajós, com trechos aqui transcritos:   
Me diz coisas feias e de amor
A luz da lamparina
Me devoro o corpo sedutor
Igual fera assassina
E você me arrasta nessa dor,
que aos poucos me arruína.
Ando já com meus nervos a flor da pele, já morfina.
Tenho olheiras fundas e pavor de álcool e nicotina
Minhas noites durmo com pavor
A base de aspirina

Salmo 91



“Não temerás os terrores da noite, nem a seta que voe de dia, nem peste que anda na escuridão, nem mortandade que assole ao meio-dia. Mil poderão cair ao teu lado, e dez mil à tua direita; mas tu não serás atingido”. A citação de trecho do belo Salmo 91 talvez ficasse melhor nas palavras da “samaritana das frases alheias” ou de um desses “fariseus festeiros” que oram pela chuva de olho na caixa registradora, serve como ilustração da bela peça do mesmo nome em cartaz na Sala do Corro do Teatro Castro Alves.

A partir do livro de Dr. Dráuzio Varella, Estação Carandiru, relatos de seu acompanhamento médico por vários anos aos detentos daquele inferno penitenciário, o texto em cartaz, com bons atores baianos, reproduz a experiência de sobreviventes do massacre ocorrido há dez anos. Humanos como nós são seres que não despertam qualquer sentimento de piedade ou compaixão. São ou se transformaram em seres bestiais, maus, indignos, repulsivos, carregando homicídios inclassificáveis, penas que nem Matusalém cumpriria vivesse o tempo que vivesse. É a humanidade que rasteja, a brutalidade em seu estágio mais degradante, criminosos de alta periculosidade, homens maus, bichas sórdidas compõem o inferno que explodiria a qualquer momento, como naquela noite assombrosa em que o presídio foi invadido por forças policiais e 111 execuções foram contabilizadas. Mas foram mais, bem mais...  

Os atores Fábio Vidal, Duda Woyda, Lúcio Tranchesi, Rafael Medrado dão ao texto uma autenticidade desconcertante, como uma espécie de soco no estômago, trágico e poético. Um teatro que faz pensar, refletir e que foge ao besteirol que povoa a maioria das salas da cidade.  

Ao vencedor, o Elevador Lacerda.



A cidade respira a final do campeonato baiano amanhã que também é Dia das Mães e aniversário de 99 anos de D. Lourdes, mãe, sogra, avó e bisavó, com bisnetos já em idade de poder lhe dar um trineto. Face outros compromissos assumidos por parte dos familiares não estaremos presentes ao evento, mas certos que em seu centenário todos estaremos lá, com a graça divina.

Mas, voltando à decisão do título baiano de futebol em 2012, é certo que a honraria será mais que desejada para as cores rubro negra, aumentando para onze anos sem nenhuma conquista, o jejum do Barcelona de Itinga. O troféu que será entregue ao vencedor foi apresentando ontem à imprensa e é de um mau gosto e de um “baianismo” desnecessário. Claro que o Vitória quer a peça, que será entregue pelo ator e comediante Luis Miranda, mas deveriam ter procurado um artista plástico que traduzisse o feito com uma simbologia menos óbvia que uma réplica do Elevador Lacerda. Será que tem algo a ver com o sobe e desce dos nossos clubes na Primeira Divisão do Futebol Brasileiro? 

Devagr, muito devagar e Dorival Caymmi



Longe da cidade alegre, revendo familiares e amigos, respirando ares menos provincianos embora com a dramaticidade e mesmo comicidade dos testes do metrô de Salvador, por exemplo. Previsto para funcionar no final do ano em fase experimental, sem custo para a população, o metrô vai se arrastando e arrastando mais um caminhão de verba complementar, que em um país sério já daria para fazer metade de uma volta ao mundo, enquanto por aqui praticamente não vai sair do lugar.  

Os testes realizados na minúscula linha que liga a Estação da Lapa a Estação Pirajá é pouco, muito pouco, para o que se gastou e pela duração interminável da obra. A velocidade demonstrada nos testes para por os vagões em movimento, após mais de dois anos parados em galpões improvisados em Campinas de Pirajá, é páreo para Rubinho Barrichello ou para tartarugas marinhas que são bem mais ágeis que as terrestres, mas não convencem como velocidade para transportes de massa.

O folclórico metrô de Salvador fará jus mesmo ao deboche e as piadas que circulam a seu respeito, andando nas três velocidades do baiano: “devagar, muito devagar e Dorival Caymmi”.   

Simanca - Charge  

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Dançando na chuva que virá.



Somos assim, apanhamos, sofremos mas, como mulher de malando, nos resignamos com as vitorias difíceis conquistadas. O prazer parece maior, Ê Vitória, eu sou infartado “Nêgo”, segura a onda. Tá certo que o Botafogo vinha de uma humilhante derrota para o “pó de arroz” por 4 x 1, mas são problemas domésticos, eles que resolvam suas demandas, já temos e muitas, em demasia, as nossas. O time é limitado, não irá muito aidante, mas jogar, como jogou ontem, nos faz sentir torcedor do Barcelona. Torcedor é assim passional, cego que enxerga no escuro, fariseu festeiro que luta pelo São João da cidade alegre e seus comerciantes da praça; orando pela chuva, orando, orando... Só um santo tolo ou demente, absorverá esta reza.

Mas o que interessa é mesmo o nosso rubronegro. Brilhante, altivo, superior e adiante na Copa do Brasil. Não importa perder, é do jogo. Não pode é participar de um circo municipal, com claque de servidores mal pagos, mas servis, montada para aprovar em aclamação pública uma decisão que envergonharia os que têm vergonha, o que evidentemente não vem ao caso. Dançando sobre os escombros de esqueletos de animais mortos, levantando a poeira do solo que vocês não honram como maus cidadãos. Orando, orando, orando...