quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Já é Carnaval, cidade!

Não fazem parte da programação oficial do Carnaval de Salvador, mas pelos anos que já invadem os espaços públicos com seus blocos de sopro e percussão já podem ser considerados tradicionais, numa terra e num evento que qualquer agremiação com alguns poucos anos de estrada, ou de asfalto em se tratando de Carnaval, já é uma tradição. Tão aí o Olodum, o Ilê Ayê para serem reverenciados como se tivessem aportados por aqui no primeiro navio negreiro que ancorou nos portos brasileiros.
Tradição por aqui é coisa de 10 ou 15 anos, ao contrário do que imaginava ser a tradição, algo centenário ou próximo como a Independência da Bahia, Dona Canô, o Flamengo, a Capoeira, o Maracatu, a Estação Primeira da Mangueira, D. Lourdes minha sogra etc.

Mas, queria falar da Lavagem da Fundação Cultural, formado por funcionários e amigos do órgão estadual que sai da Rua Chile, sede da Fundação no Palácio Rio Branco, antecipando o carnaval oficial que só acontece a partir de amanhã, quinta feira, percorre ruas do centro até o Largo Arcanjo no Pelourinho onde o baile homenageia o rei e a rainha da Lavagem.
Do outro lado da cidade a banda Habeas Copus de Sérgio Bezerra, dono do bar e restaurante do mesmo nome, onde a tradição começou, seguida por grande quantidade de outras bandas e fanfarras que percorrem um trecho da Barra que vai do Farol até o Barravento, no Cristo, arrastando uma multidão, sem cordas, sem amarras, apenas com camisas alusivas à banda. Humildemente fui um dos foliões pioneiro nas saídas do Habeas Copus, nos anos 80, cujo afastamento se deu na proporção que o evento crescia e aumentava o número de participantes e acompanhantes. Uma reunião de amigos e frequentadores do bar se transformou numa gigantesca celebração como compete a qualquer tradição e ao próprio gigantismo do Carnaval de Salvador.

De volta ao armário

Neste inicio de ano e mesmo no final do que passou, quando os ensaios promovidos pelas estrelas do axé pululam por toda cidade, como se aquelas aberrações coreográficas necessitassem de ensaio, dizer que algo foi sucesso no verão fora do ambiente pré-carnavalesco é uma meia verdade diante da “muvuca” provocada por aqueles tais ensaios. Foi no meio deste turbilhão axezeiro que a peça Éramos gays foi lançada no Teatro Módulo, na Pituba, sem o sucesso merecido, embora possa ainda alcançar, já que o verão se estenderá até março e o musical escrito pela querida Aninha Franco pode vir a ser o acontecimento do que restar do verão e seguir carreira até o meio do ano.

Partindo de um argumento simples o musical pode dar “panos pras mangas” ou “penas pras frangas” se soltarem com a abundância previsível e uma frescura tamanha de se prescindir do ar condicionado nas dependências teatral. Um grupo de gays, no século passado, resolveu passar o final de semana em Nova York entre eles Alice Kate. Em determinado ponto do Atlântico o avião passa por uma turbulência, assustando e apavorando todos eles, com a possibilidade de se espatifar no mar, matando todos. Alice, de acordo com a sua religiosidade prometeu a São Sebastião que se nada sofressem voltaria para o armário e nunca mais olharia para o seu objeto de desejo, um outro homem, quer dizer, um espécime do sexo masculino. O avião, bem como tripulação e tripulantes, aterrissou em paz sem que nada acontecesse.

E a promessa? Bem, daí em diante Alice vive às voltas com seus colegas, tentando demovê-lo da idéia de retornar ao armário. São criadas situações hilárias, com diálogos inteligentes e muita música baiana em um musical inspirado nos modelos da Broadway. A dramaturga e diretora teatral Aninha Franco mais uma vez acertou em seus textos, comédias ou não, contando desta vez com o auxilio de bons atores como Mário Bezerra, Daniel Rabello, Felipe Veloso entre outros.

Foto: Elenco da peça

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Indo onde o dinheiro for.


Em principio podia até parecer um gesto de generosidade, de solidariedade das estrelas do axé, no Carnaval baiano, ao abandonarem por um momento seus blocos de cordas para foliões “parmalat” com abadás a peso de ouro e virem para a avenida tocar para o folião pipoca, aquele que brinca sem corda, sem seguranças, sem amarras e a sua fantasia é uma camiseta, short, tênis e a alegria. Começou com a Daniela Mercury e ai vieram Durval Lélis, Ivete Sangalo (Ivete devolva os 650 mil do hospital de Sobral - CE), Saulo Fernandes com a Banda Eva, Chiclete com Banana e até este lixo mal cheiroso dos pagodeiros. Mas, havia algo de errado no reino do axé, como sempre houve, pois o que parecia espontaneidade e uma difusa democracia na folia se revelou, em verdade, uma imposição, uma mudança no foco publicitário.

Uma recente postagem da querida Aninha Franco em sua página facebook sobre os rumos do carnaval baiano, quanto a esta descida do trono dos reis e rainhas do axé e da folia para a companhia do folião pipoca, foi complementada por um dos seus seguidores que jogou a pá de cal na benemerência  axezeira. Tudo era uma questão de marketing. Os patrocinadores observaram que ao invés de aplicar os seus milhões em verbas publicitárias nos trios e blocos de 3 ou 5 mil participantes preferiram aplicar estes recursos em trios pipocas cuja visibilidade para o seu “merchandising” atingiria um bando de 40 a 50 mil foliões animados e agradecidos com a presença de seus ídolos, tocando para si. E aí então, os reis e rainhas do axé foram para onde o dinheiro foi.  

Foto: Bell Marques

Eu sou um grito de glória. Eu sou Vitória!



Recente estudo divulgado pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFH), em que classifica as 200 melhores equipes da América do Sul, o nosso rubronegro baiano, o Vitória, aparece em 85º lugar, sendo a melhor colocação de um clube nordestino. Logo a seguir aparecem o Sport em 117º lugar e o Barcelona de Itinga o (Bahia) em 135º.

O Campeão da América é mesmo o Boca Juniors que num universo das 10 melhores equipes do continente tem a companhia dos clubes brasileiros, São Paulo, Santos, Cruzeiro, Internacional e Corinthians.

A liderança do Vitória na região parece se confirmar na recém-iniciada Copa do Nordeste em que já desponta como a melhor equipe, mesmo ainda não jogando um futebol convincente, mas o suficiente para liderar a competição, com a classificação assegurada para a segunda etapa da disputa. Dá-lhe Leão da Barra!

Foto: Torcida do Vitória - Barradão

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O orgulho de ser morrense.

 Imagem

É compreensível o orgulho do morrense com a sua cidade, Morro do Chapéu, onde me encontro em mais uma final de semana. Alem da riqueza natural esparramada por todo o município, o Morro, como é carinhosamente chamado, tem uma riqueza cultural que brota nas mais diversas manifestações artísticas e, que poderia gerar muito mais frutos se houvesse um maior incentivo público ou privado para estes artistas da terra. A cidade dispõe de duas filarmônicas, sendo a Sociedade Filarmônica Minerva uma das mais antigas do estado, com seu 106 anos de fundada, e a Lira Morrense bem mais nova, mas também formada por jovens músicos talentosos.

Os vários grupos de teatro existentes na cidade sempre estão em cartaz com algum espetáculo e revelando atores como Jarbas Oliver que hoje integra a Companhia Baiana de Patifaria, responsável por um dos maiores sucesso do teatro baiano, A Bofetada, com 25 anos em cartaz, desde a sua estréia no TCA em 1988, cumprindo longas temporadas e voltando a pedidos do público tal a aceitação popular.

Ontem assisti no Teatro Judith Arlego (uma das baluartes da cultura morrense) a apresentação de  Amor por anexins de Artur Azevedo, pelo grupo de teatro Encenações, uma comédia de costumes onde uma viúva vive assediada por pretendentes de olho no dote que o falecido deixou. Atores que poderão fazer carreira seguindo o exemplo de outros artistas que saíram daqui para os palcos das grandes cidades. Assim como os artistas plásticos, escultores, artesãos em exposição permanente em seu Mercado Cultural no coração da cidade. 
Anexins: Ditos populares, provérbios. 

Foto: Vila Fantasma do Ventura - Municipio de Morro do Chapéu

sábado, 2 de fevereiro de 2013

02.02.13 - Dia de festa no mar.


 Em dias como hoje, a falta e a saudade de estar em Salvador é que se transforma num angustiante fardo prá suportar. 

O presente para Iemanjá, no Rio Vermelho é a segunda festa mais popular da cidade, perdendo apenas para a Lavagem do Bonfim em termos de freqüência e de apelo popular, já que mantém a mesma sincronia e a mesma devoção com o sincretismo religioso. É uma reverência do povo de santo à Rainha do Mar, a Iemanjá, a Oxum que transforma, a enseada do Rio Vermelho num tapete de flores, altar de cânticos e saudações de todo aquele que mesmo tendo a sua religiosidade comprovada na freqüência de seus cultos, igrejas e seitas, não tira um pé do mármore frio dos seus templos, mesmo deixando o outro no chão de terra batida dos terreiros do candomblé.

Uma ligação de Camila às 11 horas da manhã de hoje me pôs em contato com a cidade que plantei prá mim, ao ser informado que iria para o Rio Vermelho, com Bruno, participar ou assistir, dento de possível, o ritual da entrega das oferendas à Rainha do Mar.   

O mesmo espírito, ecologicamente correto, observado na Lavagem do Bonfim, quanto à presença dos cavaleiros e carroças puxadas por burros limada do cortejo, acatando protesto da Sociedade Protetora dos Animais, agora também se verifica na entrega dos presentes a Iemanjá. Não serão admitidos presentes como os tradicionais frascos de Alfazema que a vaidosa mãe das águas, segundo reza a lenda, não dispensa, pelo radical argumento de que a embalagem é um dos fortes fatores de poluição marítima. Assim prefere-se uma Rainha do Mar cheirando mal, que um mar mais poluído daquele que está.

Oxum é doce, é pura, é limpa, mas tudo tem um limite. O mar lhe pertence e não vai ser estes burocratas de gabinetes refrigerados que irão mudar o curso da historia; a história do povo de santo.

Foto: Iemanjá (um pouco moderna demais)

Joga pedra na Geni... Joga b(*) na Geni...




Graças à desgraça que se abateu sobre Santa Maria – RS, comovendo todo o país, a imprensa, a grande embora de caráter minúsculo, que não resiste a uma tragédia ou a repercutir possíveis escândalos petistas, varreu de suas primeiras páginas ou sem a contundência devida, os dois personagens que disputariam e acabariam ganhando a presidência das duas casas Legislativas mais importantes do país, a Câmara de Deputados e o Senado Federal.

Tanto o deputado Henrique Alves como o Senador Renan Calheiros cujas reputações públicas rivalizam com aquelas ostentadas por paus de galinheiros se beneficiaram da enorme repercussão da morte dos mais de 200 jovens, fazendo com que as denúncias que pairam sobre suas condutas, dentro e fora do ambiente político, muitas já conhecidas, não tivessem o caráter escandaloso e impeditivo que merecem e deveriam ter. Mas, eles não perdem por esperar, já que a Policia Federal, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal continuarão em seus encalços, mesmo sabendo que empossados nas Presidências das Casas, nada os fará apear daqueles assentos onde arriaram as suas consciências. Impedimento só pelos seus pares e, os pares estão juntos e misturados na mesma anarquia, na mesma safadeza, na mesma bagunça, no mesmo forró legislativo.

Então, chega a ser patético a empáfia do Senador Álvaro Dias (PSDB – PR) exibindo as suas novas madeixas “cor de burro quando foge” (Que tintura é aquela? Será aquela que Ivete anuncia?), discorrendo sobre a moralidade, a ética que deve nortear o Senado Federal. Quem sabe ele esteja fazendo uma profissão de fé na crença de que seu colega de Senado, Eduardo Azeredo (PSDB – MG), possa até ser a Geni do mensalão mineiro, mas uma Geni que freqüenta os restaurantes dos Jardins, do Plano Piloto, do Leblon e se cobre com os panos da Oscar Freire, bem diferente da Geni que acabou de ser eleita e nunca abandonou os cabarés de Maceió.  

Foto: Renan Calheiros