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terça-feira, 28 de março de 2017

Pausa pra meditação


“O que é maior: O orgulho de ser o maior exportador de carnes e de aves ou a vergonha de ser o país que mais mata animais no mundo?”

Frase: Nelson Motta

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Beleza bovina

Sua presença na 41ª EXPOFEIRA - Exposição Agropecuária de Feira de Santana desperta atenção e olhares curiosos dos visitantes pelos seus 1,2 mil quilos e pelagem diferenciada para um nelore. Trata-se de Ídolo o touro tão viajado pelo Brasil afora como uma grande celebridade bovina.

Pacífico, o touro elegantemente gira a imensa cabeça, mexe pacientemente os olhos, enquanto espera o abastecimento do cocho a cada uma das dez vezes ao dia.

O touro ainda não atingiu a maturidade sexual, mas dificilmente deixará de ser virgem, devendo gerar centenas de filhos, mas por inseminação artificial, pois com aquele corpanzil não poderá deixar descendentes pelos meios tradicionais. Assim, só lhe resta aproveitar as viagens e a boa vida de solteirão.

Foto: Touro Ídolo


quarta-feira, 8 de junho de 2016

A matança do boi

A exclusão da carne vermelha em minha alimentação foi uma decisão pessoal que não passou pelo crivo de outras recomendações médicas necessárias, em decorrência de problemas de saúde enfrentados a algum tempo atrás. E que talvez já devesse há mais tempo ainda, um tempo que provavelmente remonte às nossas aulas de educação física no Ginásio de Piritiba, nos anos 60.

Nestas oportunidades, precisamente as quintas feiras, subíamos o São Domingos mais cedo que o início da aula, para passarmos antes no curral da matança e assistirmos (não há outro termo) uma cena assustadora. A preparação da pré-morte do boi. O animal era amarrado pelo pescoço ao mourão, pés e mãos atados na relação pé esquerdo com a mão esquerda ou a mesma combinação com os membros destros, conforme a escolha do magarefe.

O sacrifício era iniciado com uma sessão de pauladas (nem sempre certeiras) na região entre o pescoço e a cabeça, acompanhados de berros lancinantes do boi. Quando a bordoada atingia o ponto vital de equilíbrio do animal, ele caia quase desfalecido e estrebuchando, oferecendo as condições precisas para o golpe final e fatal. O magarefe se aproximava da vítima, portando uma peixeira de “paraibano” e sangrava o animal já caído e semimorto. 

A enorme quantidade de sangue que jorrava do pescoço do boi era aparada em uma bacia ou várias, para que depois as fateiras transformassem aquela sangria em ingredientes para o sarapatel e até em doce, de gosto duvidoso para quem já provou, mas natural para quem participa do ritual macabro da matança do boi

Tanto tempo depois, estas imagens permanecem em minha memória com uma clareza que às vezes me assusta. É o exemplo de uma crueldade que cada um de nós, como animais e homens, infelizmente somos capazes. Embora tardiamente, é verdade, mas carne vermelha, nunca mais. E assim vou tocando a marcha.

Foto: Ilustrativa

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Em defesa dos animais

Por muito tempo o Bar da Praça pertenceu ao mano Juracy e ali passei boa parte da minha infância e adolescência, fazendo e despachando, juntamente com Nadinho, refresco da maracujá, abastecendo com cerveja e pinga os consumidores do balcão ou das mesas. E nas horas vagas, que eram muitas, comia chocolate Diamante Negro, quando não levava prá casa e estocava debaixo da cama. (Perdoe mano, estas inconfidências). 

Nos fundos do bar havia uma rinha que aos domingos recebia grande contingente de aficionados por sangue e pelo sofrimento dos animais, no caso os galos de briga. Convivia não sem certo incomodo com aquela realidade, não só no bar como também em casa onde o mano levava os animais para o sacrifício ou para remendos na cabeça, peito e coxas. 

Estas cirurgias eram algo tão ou mais absurdas que os próprios combates dos animais na rinha, com a vantagem (como se houvesse alguma) destes rituais macabros não serem acompanhados dos gritos histéricos de uma torcida apoplética e em transe. 

Com a cabeça estourada pelas esporas adversárias, o animal era colocado entre as pernas do mano que com uma agulha e linha grossa iniciava uma serie de pontos, como se estivesse costurando gomos de uma bola de futebol. O animal desfalecido, sem força, não esboçava qualquer reação, era apenas a continuação dos golpes sofridos na rinha. 

Foto: Ilustrativa

terça-feira, 21 de julho de 2015

Matança

Não sou o que se pode chamar de vegetariano, embora procure sempre ter os vegetais em meu prato, desde que decidi abolir, por decisão própria, o consumo de carne vermelha, já atendendo algumas orientações do nutricionista quanto aquilo que deveria consumir e evitar. 

A rejeição à carne vermelha, ainda que tardiamente, talvez remonte as nossas aulas de educação física no Ginásio de Piritiba. Nestas oportunidades, precisamente as quintas feiras, subíamos o São Domingos mais cedo que o início da aula, para passarmos no curral da matança e assistirmos (não há outro termo) um espetáculo assustador.

O animal era amarrado pelo pescoço ao mourão, pés e mãos atados na relação pé esquerdo com a mão esquerda e a mesma combinação com os membros destros, conforme a escolha do magarefe. O sacrifício era iniciado com uma sessão de pauladas (nem sempre certeiras) na região entre o pescoço e a cabeça do animal, acompanhados de berros lancinantes do boi. Quando a bordoada atingia o ponto vital de equilíbrio do animal, ele caia quase desfalecido e estrebuchando, oferecendo as condições ideais para o golpe final e fatal.

O magarefe então se aproximava da vítima, portando uma peixeira de “paraibano” e sangrava o animal já caído e semimorto. A enorme quantidade de sangue que jorrava do pescoço do boi era aparada em uma bacia ou várias, para depois as fateiras transformarem aquela sangria em ingredientes para o sarapatel e até em doce.

Tanto tempo depois, estas imagens permanecem em minha memória com uma clareza que às vezes me assusta. É o exemplo de uma crueldade que cada um de nós, como animais e homens, infelizmente somos capazes. Embora tardiamente, é verdade, mas carne vermelha, nunca mais. E assim vou tocando a marcha. 

Foto: Ilustrativa