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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Cabeceira do rio

O ranking das melhores cachaças do Brasil carece de seriedade, pois acaba refletindo certos interesses comerciais daquele que faz a escolha, em geral ligado a um alambique, um fornecedor, enfim, comprometido com o fabrico e por assim dizer com a própria escolha das melhores.

Uma recente classificação chamou a minha atenção, um antigo ex-consumidor da “marvada pinga”, por fazer referência a cachaças que povoaram o nosso universo de iniciantes no consumo, lá pelos anos 60, como as mineiras Correinha e Januária. Na seleção havia uma única baiana, a notória Abaíra, que me lembre não fazia parte daquele grupo, assim como Chora na rampa, Saborosa entre outras menos respeitadas.

Outra baiana que jamais chegou a qualquer parada, que não os balcões dos bares locais de então, mas sempre bem aceita entre nós, foi a Cabeceira do rio, de fabricação artesanal na cidade hoje conhecida por Wagner, mas que apenas fazia referência a localidade onde estava instalado o alambique. Certo feita, o mano conseguiu com o dono do fabrico, seu amigo, uns dois litros para que levasse a Salvador, onde já estudava.

Bem embalada, e alojada no bagageiro interno do ônibus da empresa Cristo Rei, nos pusemos a trepidar e sacolejar pela estrada que futuramente viria a ser a Estrada do Feijão. Os solavancos foram mais intensos que poderia suportar a embalagem feita pelo mano para os dois litros de Cabeceira do rio, e o líquido , então precioso, começou a escorrer pela extensão de todo o bagageiro e dali para uma chuva de pinga sobre a cabeça dos passageiros, foi um tapa. 

O que foi? De quem é?, O que é isso? Motorista! Cobrador! Tá chovendo no ônibus! Quieto, na minha poltrona saboreando um pingo e outro sobre a cabeça, fui amargando em silêncio o prejuízo, desta viagem encharcada e bêbada, até descer na Rodoviária de Salvador 

Mas, voltando às pingas mineiras, tanto a Correinha ou Januária, elas funcionavam como um estimulo, uma alavanca para os bailes que daqui a pouco iriam começar na 27 de setembro e a primeira parte, atravessar o salão para ter em nossos braços, a jovem que já esperavam por eles, era mais que necessário. 

Foto: Ilustrativa

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A que vier eu traço


Essa história de preferência por cervejas é muito relativa. Em 2013 foi realizada uma pesquisa sobre o gosto do consumidor quanto à cerveja a ser consumida e vendida no circuito do Carnaval em Salvador. Foram ouvidas 200 pessoas para uma degustação às cegas das marcas Skol, Schin Itaipava.

Resultado: 92% não identificaram a cerveja que bebiam. Ou seja, o paladar está mais na marca consolidada do que na língua. Embora os entendidos afirmem que tem diferença, mas isso não muda um fato empírico: o povo pede mais Skol.

Fonte: Tribuna

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Libera...

Ao contrário do Ministro da Justiça que prega uma campanha pela erradicação da maconha, próprio a um governo careta e conservador, o Dr. Túlio Costa, especialista em dor, afirma que a autoridade só contribuiu para aumentar o preconceito contra a planta que já é utilizada em vários países do mundo em medicamentos contra a dor e as convulsões.

O médico ainda acrescenta que vários analgésicos utilizados na odontologia tem como base de sua composição, a cocaína, e nem por isso os pacientes se tornam dependentes da droga. A utilização medicinal da maconha, no entanto, não deve ser um estimulo para que se ande por aí, puxando um “baseado” a qualquer hora do dia, mas uma contribuição também para a sua descriminalização no uso doméstico e digamos social, da erva.

Claro que o assunto merece uma discussão menos apaixonada e menos policialesca, fruto de uma cultural repressiva que se arrasta a anos como tentativa de eliminar o tráfico, que por certo sofrerá uma abalo com a sua liberação. Mas a sua permissão para uso restrito ou social, como já acontece no Uruguai, por exemplo, seria o modo primário de lidar com seu uso sem medo de ser feliz.

Foto: Ilustrativa

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Tomando todas


A expressão “tomar todas” cabe com perfeição ao mercado de fabricação de cachaças, por aqui. Esta produção atingiu o expressivo valor de, em  um só ano, quase R$6 bilhões de reais.

Foram produzidos mais de 500 milhões de litros do líquido, sendo exportado apenas 1% deste volume, já o resto foi entornado por aqui mesmo. Êta povo bom de copo!

Foto: Ilustrativa