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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

É a crise!

O outrora clube chique do Rio, onde só bacanas eram sócios e funcionava como uma espécie de termômetro do nível social do figurão, o Itanhangá Golf Club, está prestes a fechar a sua academia de ginástica.

A razão não é a falta de alunos para colocar o corpo em forma, mas a inadimplência dos sócios que está inviabilizando algumas de suas atividades sociais. É a crise! 

Foto: Ilustrativa

terça-feira, 14 de junho de 2016

Falta de assunto


Escritores brasileiros contemporâneos sempre foram colunistas de jornais e revistas, onde eram responsáveis por uma coluna diária ou em dias específicos da semana, como complemento de suas rendas mensais ou pelo prazer de chegar ao grande público, não muito presente em livrarias e, por conseguinte pouco afeito ao consumo de livros. 

Além do prestígio daquelas publicações em ter entre seus colaboradores nomes como Carlos Heitor Cony, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues, Rubem, Braga, etc, que por vezes reclamavam da falta de assunto para as suas crônicas, mas a que eram obrigados a redigir um texto para entregar ao jornal ou revista para a publicação. Essa falta de assunto já deu a oportunidade a Rubem Braga ou Drummond a crônicas excelentes, próprias de seus talentos excepcionais.

Fico a imaginar os colunistas dos cadernos de esportes dos grandes, médios ou pequenos jornais com a obrigação de escrever sobre a eliminação da seleção brasileira de futebol, na Copa América Centenária-2016, onde o assunto é bem pior que a sua falta, mas que por dever de oficio, tem que ser cumprido.

Distante da poesia, leveza e criatividade que a falta de assunto dava aos escritores – cronistas, os colunistas dos cadernos esportivos tem que preencher seus espaços, enchendo lingüiça com Dunga, Willian, Felipe Luís, Daniel Alves, Alisson, Gilmar Rinaldi, Elias entre outras nulidades e seu futebolzinho 7 x 1. E até se encantar, quem sabe, com a vitória de 7 x 1 sobre o Haiti, um país destroçado, geográfico e socialmente, que só os pulhas e covardes do alto de suas insensibilidades podem tripudiar. 

Foto: Ilustrativa

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O rock envelheceu (e bem)

Justiça se faça ao rock: nenhuma outra música envelheceu tão bem. Tome alguns artistas do Rock in Rio e veja como eles eram em começo de carreira, nos anos 60: jovens, magros, bonitos, "rebeldes", contestadores, com longas e louras cabeleiras. Hoje estariam velhos, gordos, feios, desdentados (cocaína faz mal aos dentes), carecas ou com restos de cabelos branco, botinas, calça de lona, munhequeira e colete aberto sobre a barriga branca e insubmersível.

Mas, agora, vem o lado bonito da coisa. O fato de esses homens terem hoje mais de 70 anos e serem, quem sabe, diabéticos, não incomoda seus jovens fãs. Sim, os caras envelheceram, e daí? –dirão os garotos. Está certo. A idade provecta não lhes tira o direito de se apresentarem. E a mídia continua apaixonada por eles. No Rock in Rio, é comum ver avós, filhos e netos admirando o mesmo artista, três gerações incrivelmente niveladas pela mesma velhice. É inédito 

Texto (fragmentos): Ruy Castro
Foto: Mick Jagger - Rolling Stones

terça-feira, 14 de julho de 2015

O teu cabelo não nega

Dilma, no encontro com o ator Paulo Betti, ontem, elogiou o seu cabelo. Paulo Betti explicou um truque que aprendeu na BBC de Londres: um alongamento, curvando a cabeça entre as pernas, aumentando assim a circulação no couro cabeludo.

- Óbvio, vasculariza o couro cabeludo e, sem pestanejar a presidente simulou o alongamento ali mesmo na presença do ator.

Fonte: Anselmo Gois
Gravura: The Piauí Herald

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Ilustre desconhecido

Independente do caráter humano da tragédia que vitimou dois jovens, um deles artista de sucesso popular, confesso a surpresa com a repercussão nacional, uma comoção mesmo, com que se revestiu a morte do cantor sertanejo, do arrocha, do forró universitário ou tudo junto, significando o vazio.

Nada conhecia de seu repertório, nem nunca assisti nenhuma de suas apresentações, e talvez venha daí a minha surpresa, pois o meu interesse musical não contempla artista cuja agenda se faz de quase trezentas apresentações por ano. Tenho dúvida se os que de fato trilham este caminho sejam de fato artistas ou uma enlouquecida máquina de fazer dinheiro, em detrimento da vida. Essa busca de realização profissional a qualquer custo, paga-se por fim um preço exagerado, a própria vida.

Foto: Ilustrativa 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Festival da Morte para os Vivos

A nossa dificuldade em lidar com a morte e com os aspectos funerários, de sepultamento etc quem sabe podem ser amenizados com os rituais que precedem a morte, como em países como Gana, na África, em que o “bota fora” é uma verdadeira celebração, no bom sentido de festa e farra.

Recentemente, em Londres o ganês o Joe Pass expôs no Festival da Morte para os Vivos réplica dos esquifes exóticos encomendados por clientes que manifestaram seu desejo de ser enterrados, não naquelas urnas funerárias tradicionais e ameaçadoras, mas sim em caixões de formas as mais inusitadas.

Ali as pessoas são enterradas dentro de cópias de aviões de luxo, carros ultramodernos e até um cacau gigante fabricado para o descanso eterno de um fazendeiro e cacauicultor. Chamava a atenção, como se alguma coisa ali não chamasse, um caixão em forma de guitarra e uma miniatura de um vagão de trem puxado por uma locomotiva. Este trem expressava a fantasia de um senhor que quando criança fez uma viagem e cuja paisagem a partir da janela do vagão ele nunca esqueceu quando em vida e, assim queria partir dentro de um vagão puxado por uma locomotiva. Coitados dos coveiros!

Nem as crianças escaparam das esquisitices, na representação de uma caixão convencional só que rosa choque coberto de purpurina e desenhos infantis. Se a moda pega por aqui, haverá uma corrida enlouquecida por esquifes em forma de trios elétricos, timbales, andor de procissão etc, difícil mesmo será fazer alguém ser sepultado em algo com formato de berimbau.

Foto: Caixão em forma de guitarra

domingo, 14 de setembro de 2014

Questão de ordem, uma questão de desordem

Tanto tempo depois, mas só agora pude ouvir, ou melhor tentar ouvir, já que a estranheza, o espanto que provocou e ainda assusta a canção de Gil, no IV Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, a anárquica Questão de ordem, permanece. 

Como permanece a certeza de que tudo aquilo foi previamente combinado, premeditado, para se instaurar o "happening", a cartase, a esculhambação antifestival, a negação daquela feira competitiva e de “toda a imbecilidade que reina no país”, conforme Caetano em seu antológico discurso, em favor de Gil.

Depois da desclassificação da música de Gil, a Questão de ordem, foi a vez de Caetano e Os Mutantes apresentarem a sua não menos provocativa É proibido, proibir (“derrubar as prateleiras, as estantes, as estátuas, as vidraças, louças, livros sim/é proibido, proibir”). 

O cenário estava montado para o discurso de um Caetano possesso, transtornado, vaiado de modo inclemente, mas indignado em frases como “É essa juventude que diz que quer tomar o poder, se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos. Vocês não estão entendendo nada, nada. Vocês são iguais sabem a quem, sabem a quem, aqueles que foram ao Roda Viva e espancaram os atores. Por falar nisso, viva Cacilda Becker, viva Cacilda Becker; que juventude é essa. O júri é muito simpático, mas é incompetente. E aí júri, vocês não souberam classificar a melodia de Gil; Gil fundiu a cuca de vocês. É assim que eu quero ver”. O final da história é tristemente conhecido: a prisão e o exílio de Caetano e Gil.

Foto: Gil

terça-feira, 1 de abril de 2014

Um jeito baiano de ser.

Entre as muitas atividades em comemoração ao Aniversário de Salvador em seus 465 anos, a Rádio Metropole promoveu vários encontros com personalidades do mundo cultural e politico da cidade para revelar certas particularidades quanto ao jeito baiano de ser. Em uma destas mesas redondas o Presidente da Fundação Gregório de Matos, da Prefeitura Municipal de Salvador, o diretor teatral Fernando Guerreiro se deteve no nosso jeito mal educado de falar alto.

“Em Salvador, tem muita coisa que é a cara da Bahia. Falar alto, por exemplo, não tem jeito! Você entra em um bar de caranguejo e é um inferno. O baiano fala alto. Parece que as pessoas gostam de ser ouvidas. O discruso começa baixo e as pessoas vão aumentando o volume. Quando elas veem que tem plateia, aumentam mais ainda”. É verdade!

Foto: Ilustrativa

quarta-feira, 12 de março de 2014

Bell com banda.

“O cantor Bell Marques estreou leve, lépido e fagueiro a sua carreira solo puxando um bloco na terça feira. Parecia um menino! Ele e sua equipe estavam muitissimo bem homorado. A simpatia causou muita estranheza em quem já estava acostumado à sisudez da turma nos tempos de Chiclete com Banana. Dizem as más línguas que a alegria era por Bell estar descobindo, após mais de 30 anos de carreira, como é bom estar com um tecladista e uma banda que sabem tocar de fato”

Agora só falta Bell aprender a tocar, cantar, mudar o visual, deixar de lado ou no lixo a badana e as madeixas sintéticas, assumindo de vez a calvíce e, acreditar que é dos carecas que elas gostam mais. 

Fonte: Jornal Metrópole

sexta-feira, 7 de março de 2014

Acelera Ayrton! - Unidos da Tijuca.

A única motivação, hoje, que me deixaria frente a uma televisão para assistir ao desfile de escola de samba, pouco importa se do Rio ou de São Paulo, seria para constatar, mais uma vez, a criatividade e a ousadia que o carnavalesco Paulo Barros imprime a mesmice do sempre enfadonho desfile. O samba envergonhado, que parece marcha, frevo ou axé, repetitivo e sem pé nem cabeça, embora busque fazer sentido e contar uma história que no final de tanto falso brilho, plumas, isopores, luzes, fumaças, penas e belas mulatas, ninguem entende nada.

Mas, sábado, no desfile das Campeãs do Rio, se o sono não me pegar, tentarei ver a inventividade de Paulo Barros, o carnavalesco campeão pela Escola de Samba Unidos da Tijuca, e as suas alegorias e carros gigantescos criados para o enredo Acelera Ayrton!, em homenagem ao piloto Ayrton Senna

Foto: Unidos da Tijuca

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Falou e não disse.



“Quando se tem o álibi, de ter nascido ávido, e convivido inválido, mesmo sem ter havido”.
Djavan

Quem for capaz de entender a frase, o seu significado, o mais profundo emboloramento poético contido no verso, o âmago da questão como se dizia em tempos de antanho, também pode se considerar apto a discorrer em qualquer auditório, seminário, sanatório, sanitário sobre a Teoria da Relatividade. E ainda pode concorrer, pelo blog, a um exemplar da mais nova obra (mesmo) do LobãoManifesto da Nada na Terra do Nunca. O que quer dizer: o nada, premiando coisa alguma. 

Foto: Surrealismo - Salvador Dalí

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Essa bunda não é sua.


O nível de degradação e de indigência que a música popular alcançou nestes últimos tempos, de tão vergonhoso e rasteiro não deveria mais causar qualquer tipo de indignação ou surpresa, como se tudo já não tivesse sido visto e ouvido e, que a lata de lixo seria apenas mais um elemento sonoro da composição e não o recipiente de dejetos diversos, como a própria música executada. Uma espécie de metalinguagem; o uso do lixo para falar do mesmo.

Este final de semana em Morro do Chapéu em um barzinho, enquanto esperava a presença de outros familiares e amigos, um carro estacionou nas proximidades do estabelecimento. Como um autômato, o seu proprietário ou motorista, atendendo uma solicitação das profundas do inferno, levantou a porta do bagageiro do veículo, fazendo ecoar por todo o espaço o volume aterrorizante do seu trambolho musical para desespero de tantos quantos tiveram o desprazer dali se encontrar. “Essa bunda não é sua/ esse peito não é seu/tudo isso aí foi feito/com todo o dinheiro meu”, era só o inicio de uma lavagem de roupa suja em praça pública e cuja ladainha, provavelmente, só terminaria em uma delegacia de polícia juntamente com o motorista e seu trio elétrico, ambos enquadrado na lei de silêncio com apreensão do bagulho e a devida penalização pecuniária.

Logo os amigos chegaram e obedecendo a um sinal imperceptível aos nossos olhos e ouvidos levantamos ao mesmo tempo em qualquer direção e local, deixando para trás, o pobre diabo com a bunda e peitos que não eram seus, sendo cobrados a todo volume e talvez devolvidos ali mesmo, com o silicone escorrendo para a lata de lixo mais próxima, assim como os autores, os personagens e os ouvintes desta decomposição pública. 

Foto: Ilustrativa

domingo, 25 de agosto de 2013

Viver é melhor que sonhar!

Quando o “pau quebrou”, principalmente após a edição do Ato Institucional Nº 5, em dezembro de 68, quando a juventude que tomava as ruas do país se viu acuada pelas forças da repressão buscou caminhos diversos. Muitos abraçaram a luta armada, o tal rabo de foguete de que nos fala “O Bêbado e o equilibrista”, outros caíram de boca nas drogas, no baseado, no barato, na contracultura e outros tantos, simplesmente, piraram. Os que desbundaram seguiram o canto de sereia do movimento hippie e da contracultura que se espalhava pela juventude americana desiludida e contrária a Guerra do Vietnã, assim como os jovens europeus sufocados pela falta de perspectiva em seus países.

Por aqui, uma das comunidades hippies mais conhecidas foi a de Trancoso, em Porto Seguro e em especial Arebempe, onde por lá passaram Janis Joplin, Mick Jagger, Novos Baianos e muitos adeptos da “paz e do amor”, de “plantar e colher com a mão a pimenta e o sal”, uma vida contemplativa cercada pela natureza, alimentação natural, o amor livre, o rock e a maconha. Muitos dos que por lá passaram hoje são executivos, jornalistas, artistas plásticos, profissionais liberais bem sucedidos como Pink Wainer ou o desbundado José Simão

A Revista da Cultura, recentemente, fez uma reportagem em que identifica muitos participantes destas comunidades e que hoje exercem funções de ponta dentro do sistema capitalista tão combatido por seu viés mais critico, o consumismo desvairado. A artista plástica Pink Wainer, filha da colunista Danuza Leão e do lendário jornalista e exilado político Samuel Wainer, morou por muito tempo em Arembepe onde encontrou o Zé Simão fazendo e vendendo artesanato. Segundo ela, “no movimento hippie ninguém lutava para derrubar a ditadura, mas, de certa forma, estava tentando derrubar caretices mais universais”. 

Parece que o tempo tem mostrado que derrubar ditaduras não é tão difícil, quanto a luta contra a caretice e todos os seus desdobramentos, como o preconceito, a intolerância, o egoísmo,  males que seguem a sua trilha neste Século 21.

Foto: Festival de Woodstock - 1969

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Blá - blá - blá - blá - blá - blá...

Bobagens ou falta de visão não são pecados cometidos apenas por nós pobres mortais, mas asneiras em geral também são compartilhadas e ditas em altas rodas, em congressos, entre escritores, poetas, reis, políticos, rainhas, executivos etc, assim, gente bem diferente da gente, democraticamente, graças a Deus. Eis algumas das muitas bobagens proferidas por esta gente iluminada, em séculos passados:

- Quando uma mulher se torna erudita é sinal de que há algo errado com os seus órgãos genitais, (Nietzsche – 1888)
- Não sabe representar, nem cantar, e é careca. Dança um pouco. (Executivo da Metro, sobre um teste de Fred Astaire – 1928)
- Até julho o rock’ n ’roll estará fora de moda (Variety – 1956)
- A alegria é a principal característica da União Soviética. (Josef Stalin – 1935)
- Pelos meus cálculos o mundo vai acabar em 1950 (Henry Adams, historiador, 1902)
- Isto é uma merda! (Chefe de vendas da Odeon sobre o disco “Chega de saudade”, com João Gilberto – 1958)
- Que ideia louca é essa de pedir igualdade para as mulheres? Elas não passam de máquinas para produzir filhos. (Napoleão Bonaparte – 1805)
- O sol nunca se põe no Império Britânico. (John Wilson – 1829).
Foto: Ilustrativa

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Virado no mói de coentro!

Ontem, enquanto assistia o Globo Esporte Clube Bahia e fugia da propaganda comercial sintonizei outros canais locais, mesmo sabendo que no horário a programação destas emissoras é um soco no estômago, onde o mundo cão é elevado a temperaturas desumanas. Num destes canais um cidadão era entrevistado para falar da colocação de silicone em seu corpo, como meio de modelar sua anatomia de aspecto não muito agradável, segundo o próprio. Casado, pai de três filhos, há três anos procurou uma dessas academias de ginástica para dar nova formatação ao seu corpo. Então começou na malhação e, caiu nos anabolizantes, silicone, complementos alimentares, vitaminas e o que lhe fosse apresentado como busca de uma silhueta de deus grego. Não se sabe se chegou a esta perfeição toda, mas o cara gostou do resultado final.

Depois de certo tempo notou que determinada parte de sua anatomia deveria acompanhar aquele corpo escultural, modelar e numa vaidade desmedida resolveu, por conta própria, injetar silicone em seu pênis para acompanhar toda aquela beleza adquirida. Foi a desgraçeira no caminho da feira. Há mais de ano não mantém relações sexuais, pelas fortes dores na região siliconada e, principalmente por nunca mais ter conseguido uma ereção. Procurou um médico para tentar reverter o quadro, mas recebeu a noticia que o procedimento era de grande complexidade, pois parte do silicone já tinha se espalhado por outras regiões o que dificultava a sua retirada. E agora o cara carrega entre as pernas e na cueca um bagulho, supostamente, medonho e tão desimportante como um “mói de coentro” nas mãos de uma benzedeira.
 
Foto: David de Michelangelo (esse David, não sei não...)
 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Estandartes da revolta e da ironia



As manifestações que ocuparam e voltarão a encher as ruas, praças e estradas das grandes, médias e pequenas cidades brasileiras não trazem apenas a legitimidade de seus protestos e reivindicações, mas o bom humor expresso em seus cartazes e faixas, que acabam sendo a nossa cara, nossa identidade de comportamento. Fulo da vida, mas sem perder a ternura, sem perder a piada, a gozação.

Diferentemente das centrais sindicais, CUT, Força Sindical, CTB e outras mais, que em suas passeatas e organizações estão recheadas de faixas confeccionadas em gráficas, banners e estandartes de coloridos designs, fantasias, megafones, imensas bandeiras que são, evidentemente, bancadas pelas tesourarias destas centrais, abarrotadas de grana e, que vez por outra joga para a geral, para seu público, justificando o mandato para o qual seus mandatários foram eleitos. Assim como aquela laia encastelada nas cuias de queijo, prá cima e prá baixo, que representam o Congresso Nacional e da qual não fugimos da culpa por colocarmos a camarilha lá, até para legitimar o estado democrático que nos permite estas mesmas reações indignadas. Nada valem e, até nem nos representam, mas fazemos de conta que sim, pois pior seria sem eles, como sabemos.  

Aqueles que abrem mão de tais representações sindicais e políticas, de carro chefe, de ordens ao pessoal, como estudantes, artistas, aposentados, médicos, profissionais liberais, servidores públicos e privados etc, estes põem suas próprias cobranças, seus pleitos, a seu modo, na nossa tão familiar folha de cartolina onde com a ajuda de um Hidrocor, uma Pilot escancaramos nossa ira, nossa indiferença, a nossa grande decepção. Aqui está a verdade da sociedade brasileira, sem cordas, sem amarras; retada, mas alegre.  

Fotos: Cartazes de Manifestantes