A greve dos bancários prossegue infernizando a
vida dos correntistas, insensibilizando, como de costume, os banqueiros e
enchendo funcionários de expectativas com as propostas não atendidas e nem
sequer ouvidas. Já fui bancário e conheço o jogo, que perdi, por isso torço
para que minha filha, hoje também bancária, procure outro caminho para a sua
preciosa vida, seu tempo, sua inteligência, longe destes agiotas engravatados.
Novos tempos, novas formas de greve. Como bancário,
as nossas greves eram decididas em assembléia no Estacionamento Apollo, na Avenida
Sete, um amplo espaço totalmente tomado por uma categoria aguerrida. Os
piquetes começavam pela madrugada e a distribuição dos funcionários nas portas
das agencias, logo cedo pela manhã, impediam que alguns bancários reticentes
furassem a greve e às vezes inflexíveis ao poder de convencimento dos ativistas
e do comando central da greve. Havia uma politização própria daquele período
que se manifestava nas reivindicações e nos protestos dos bancários, em
especial no banco onde trabalhávamos, por ser uma instituição pública na esfera
estadual, cuja manipulação política era visível e deplorável.
Hoje passo pelas agencias fechadas, aqui em Salvador, e vejo e pressinto que
aquelas que pessoas que se postam nas portas dos bancos, impedindo a entrada de
clientes não sejam bancários, mesmo que não haja uma identificação na cara, na
cor, no jeito indicando ser um não funcionário daquela ou de qualquer outra
agencia. São bancários de ocasião, que uma Van
ou Topic desembarcam nas portas
da agência, nas primeiras horas da manhã, ao custo de R$50,00 por cabeça, para fazer
o papel que caberia aos bancários de fato. Logo um sindicato, que como tantos outros
de qualquer categoria vociferam contra um projeto que tramita na Câmara dos Deputados permitindo a
terceirização em qualquer nível por qualquer instituição pública ou privada. “Faça
o que digo não faça o que faço”.
Foto: Ilustrativa