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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Malabarismo ortográfico


A crise institucional que o país atravessa se no final não der em nada, como somos capazes de supor, deixará algum legado ortográfico deste linguajar empolado com que juízes e jurídicos utilizam para livrar a cara de seus clientes ou jogá-los nas “papudas” da vida, conforme os dois lados do espelho. Ou luz ou contraluz.

O jornalista e escritor Sérgio Rodrigues, autor de Viva a língua brasileira, em sua mais recente coluna na Folha desnuda a origem da palavra “leniência”, fartamente utilizada para com aqueles que se dispõe a dizer o que sabe, em busca de um abrandamento à pena que lhe cabe.

Lembro de já ter ouvido ou cantarolado uma valsa, talvez, dos anos 40, sucesso de Orlando Silva a bonita Lábios que beijei, que em um dos seus versos fala de “volta, dá um lenitivo a minha dor”. O lenitivo da canção traduz a busca de um alivio, um bálsamo para aquele sofrimento e, assim guarda essa familiaridade com “leniência”. 

Por fim, “leniência”, vem ser mesmo um alivio para a picaretagem política e empresarial ao confessar seus crimes em troca de um prêmio para com estes delitos.  Que coisa!  

Foto: Ilustrativa

quarta-feira, 5 de julho de 2017

De Salvador até aqui gastamos 5 horas de relógio


A expressão faz parte, como tantas outras, de um modo de falar próprio do baiano, da capital, que não se limita a guetos, subúrbios, periferia da cidade, mas a maioria de seus habitantes, independente da classe ou do grau de instrução e posição social. Convivi na faculdade, locais de trabalho, amigos de prosa e de papo que utilizavam a expressão com uma naturalidade que nunca absorvi.

Sempre que ouvia, este expressão ( ...horas de relógio) imaginava que as horas também pudessem ser contadas através da ampulheta, da bússola, da mandala, do cruzeiro do sul, da estrela Dalva enfim de qualquer sinal da natureza ou de criações humanas dos primórdios da civilização e que pudessem ser gastas pelo seu uso.

Uma das características desta linguagem baiana é o uso de um palavrão para exprimir a nossa aprovação, elogio e mesmo crítica a um clube de futebol, uma banda de música, um artista, uma festa, uma celebração qualquer. Assim como, o Vitória montou um time da p(*), o mesmo pode se dizer que o Bahia é uma p(*), o que para o caso requer também, além da afirmação uma entonação na voz para expressar o prazer ou a indignação.


Palavras ou expressões como: A migué, água-dura, bota prá fudê, armengue, estrompado, empata-foda, Vixe Maria, zorra, grade, espanta-nigrinha, galera do mal, inhaca, e por aí vai, curioso e divertido. Talvez não estejam no Aurélio ou no Houaiss, mas é certo estarão no Dicionário Baianês do Nivaldo Lariú. “Fala baiano, no seu jeito de falar”, que vai se renovando a cada dia, em nosso linguajar, e que serão catalogadas por Lariú em mais verbetes para o seu dicionário  


Foto: Ilustrativa

terça-feira, 30 de maio de 2017

Doido por mesóclise


O “tampão” em seu discurso de posse, uma mesóclise roubou a cena: "Quando menos fosse, sê-lo-ia pela minha formação democrática e pela minha formação jurídica." Poucos dias depois, cunhou "Procurarei não errar, mas, se o fizer, consertá-lo-ei".

Mesóclise é a colocação do pronome oblíquo átono no meio da palavra - tecnicamente, entre o radical e a desinência do verbo. Só ocorre em formas verbais do futuro ("consertá-lo-ei") e do futuro do pretérito ("sê-lo-ia").

Soar como um político da República Velha parecia ser a intenção do “coiso” por temperamento ou para acentuar o contraste com a desarticulação verbal de Dilma. Com quatro meses de governo, voltava atrás: "Não uso mais mesóclise". Era tarde para evitar a caricatura. 

Queria ser o presidente da "ponte para o futuro". Sê-lo-á? Parece improvável. Sê-lo-ia, não fosse Jo-es-ley. 

Texto: Fragmentos de um artigo de Sérgio Rodrigues

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Acontece que eu sou baiano, acontece que ela não é

“A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros. Vinha da boca do povo, na língua errada do povo, língua certa do povo, porque ele é que fala gostoso o português do Brasil”.                                                                                    
Manoel Bandeira.

Acreditando na verdade do poeta, e em ajuda aos que estão chegando à “terra da felicidade” para participar, brincar, se embriagar no “maior carnaval do planeta”, dentro dessa megalomania que não é baiana, mas brasileira, alguns dos neologismos que o caro visitante, por certo, irá encontrar por aqui. 

Então, ouvidos atentos que vai começar o palavreado bem baiano, que de hoje em diante, enquanto durar o carnaval, quer dizer, prá sempre, fará parte de nossa conversação:
Picuinha – frescura, detalhe sem importância
Leso - bobo
Levar baculejo – ser revistado pela policia
Esbregue – esporro
Esparo – fria
Derrubado – feio, desajeitado
De hoje – há muito tempo
Buzu - ônibus
Bozó – macumba
Cacetinho – pão de sal pequeno
Pandeiro – bunda
Nigrinha – alguém de baixo nível
Armengue – improviso, coisa feia
Lá na casa da porra – Lá longe
Serrar – filar cigarro
...
Fonte: Dicionário de Baianês - Nivaldo Lariú

domingo, 8 de janeiro de 2017

A vírgula, esta incompreendida

Uma das últimas crônicas do Professor Pasquale, na Folha, foi sobre o uso da vírgula, algo que me toca muito diretamente, tal a profusão delas que utilizo nestes "post" que cometo. Sempre estou pontuando, colocando vírgulas em razão de longos parágrafos que digito numa espécie de pausa para respiração.

Um dos vícios citados pelo Professor encontrados em textos, inclusive nas redações dos jornais, em que os colunistas ou mesmo jornalistas em suas reportagens, utilizam sem observar certas regras gramaticais quanto ao uso das vírgulas. Em orações explicativas, dentro de uma frase, em que elas devem aparecer no inicio e no fim dessas frases e não apenas no começo, uma das muitas situações para o uso correto da vírgula.

Pro meu lado que não tenho pretensão a nada, o “meu negócio é madrugada/mas meu coração não se conforma/o meu peito é do contra/e por isso mete bronca/neste samba plataforma”

Foto: Ilustrativa

domingo, 13 de setembro de 2015

Erros de meu português ruim

O Ministro do Supremo Tribunal FederalSTF, Dr. Luis Adams Fux, em entrevista a semana passada sobre as pedaladas fiscais de que o Governo Dilma é acusado, tentando justificar as ações presidenciais, soltou esta: “Houveram decisões”

Como eu, você, nos dois, sabemos que o verbo haver não vai para o plural quando assume o significado de existir. De pedaladas ficais, para pedaladas gramaticais.

Foto: Ilustrativa

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Português para iniciantes

Inicio das férias escolares é hora de definir qual destino tomar, arrumar as malas e pernas pro ar, de preferência a beira mar. Mas antes de pegar a estrada é bom desde já ir se familiarizando com certas expressões regionais que, por certo, não são de seu conhecimento, para não fazer cara de paisagem quando ouvir, por exemplo, a mãe reclamar com o filho: “pare de fazer meuã”.

Então, ai logo abaixo, um pequeno teste dos dialetos que estarão a sua disposição em sua viagem de férias por este grande, e besta, país:

O que você entenderia se alguém lhe dissesse que o irmão deitou o cabelo?
a – que o irmão dormiu até tarde
b -  que o irmão morreu
c – que o irmão fugiu de algum lugar correndo
d -  que o irmão raspou a cabeça
O que você entenderia se alguém lhe desse a seguinte orientação: “Não coma reggae dessa menina, não”?
a – não dê ouvidos aos absurdos que ela diz
b – não ouça as músicas que ela sugere
c – não a deixe ficar chorando no seu ombro
d – não como a comida ruim que ela fizer
Como é uma noite de sono “osso para dormir”
a – boa pra dormir
b – uma noite em que a pessoa vai deitar com fome
c – uma noite difícil de dormir
d – quando a pessoa dorme em cama dura
Você sabe o que significa “bater a caçuleta”?
a – bater a cabeça
b – morrer
c- insistir
d – fazer espécie de polenta
Respostas nos próximos posts

Foto: Lençois maranhenses
Fonte: Folha SP