quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Falou e não disse.



“Quando se tem o álibi, de ter nascido ávido, e convivido inválido, mesmo sem ter havido”.
Djavan

Quem for capaz de entender a frase, o seu significado, o mais profundo emboloramento poético contido no verso, o âmago da questão como se dizia em tempos de antanho, também pode se considerar apto a discorrer em qualquer auditório, seminário, sanatório, sanitário sobre a Teoria da Relatividade. E ainda pode concorrer, pelo blog, a um exemplar da mais nova obra (mesmo) do LobãoManifesto da Nada na Terra do Nunca. O que quer dizer: o nada, premiando coisa alguma. 

Foto: Surrealismo - Salvador Dalí

E vai rolar a bola!

Findo o período das férias regulamentares dos atletas, o futebol volta a ocupar a programação dos rádios, TVs, jornais e do interesse de torcedores cujo cardápio promete saciar a sede de tantos quantos esperem os campeonatos regionais, Copa do Nordeste, Copa Libertadores, Sul Americana e o ápice, com a Copa do Mundo em junho/julho deste ano.

Por aqui, a bola já rolou ontem a noite com o inicio do Campeonato Baiano de 2014, ainda que meia boca, pois sem a participação do Vitória, Bahia e Vitória da Conquista que irão disputar Copa do Nordeste e só entrarão na fase semifinal da disputa local, enquanto os demais vão amaciando a grama, até as suas participações a partir de 09 de fevereiro.

Espera-se que a Copa do Nordeste, sempre boicotada e dificultada pela CBF, mostre mais uma vez a pujança do futebol nordestino e, que a rivalidade futebolística, saudável, entre baianos e pernambucanos, entre estes e cearenses e demais clubes participantes se reverta em sucesso de público e rendas de causar baba na gola da camisa de muitos dirigentes de clubes do Sul. Razão destes entraves criados pela CBF, com a Copa do Nordeste, pois teme um esvaziamento do Campeonato Brasileiro Serie A, em oposição àquela competição, visto a quantidade de partidas desinteressantes e deficitárias a quem são obrigados a jogar para cumprir tabela. O que é paranoia, já que o Campeonato Brasileiro será sempre a vitrine maior de nosso futebol.

Foto: Galícia Esporte Clube

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Meus bons amigos!

A foto é muito antiga, quase uma sombra, tal a palidez do registro da cena, onde pessoas admiráveis parecem saídas de um filme de Fellini ou de uma chanchada de Mazzaropi. Em qualquer cenário são atores da vida inteira, da minha vida, infância e juventude, eternamente.

Soube da foto por Lina, um dos modelos da foto, juntamente com os saudosos manos e amigos Daso e Ed Miranda Sampaio e, bateu uma enorme curiosidade pelo flagrante já que segundo ela, retratava uma cena dos muitos circos que fizemos nos quintais de nossas casas. Há uma produção de circo de primeira na composição da cena, a partir do figurino de Lina; dos óculos James Dean e do sobretudo de Ed; do chapeu de couro e da gravata de Daso, carregando uma garrafa contendo qualquer líquido ou nada.

O que quer que tenha sido a representação circense dos meus bons amigos, seu significado ou a sua falta, foi compensada com a volta ao tempo, onde fomos em várias ocasiões os mesmos atores mambembes dos muitos que passaram pela praça de nossa cidade ou pelo menos era aquilo que queríamos ser. Palhaços de nós mesmos. 

Foto: Arquivo de Lina 

Enquanto isso na Capitania dos Sarneys...

Charge: Simanca

Jesus, Jesus, Jesus

"De Porto Alegre ao Acre/a pobreza só muda o sotaque” são os versos do referão de Seres Tupy música gravada por Ney Matogrosso e Pedro Luís com seus percussionistas da Parede e do “arrasa quarteirão” do carnaval de rua do Rio, o Monobloco, faixa do excelente disco Vagabundo. Sempre que estou em casa, onde estão os CD’s e DVD’s, revejo o DVD de Vagabundo, que traz o diferencial de ser a concepção e gravação da cada faixa do disco em estúdio. Ali, são perceptíveis os palpites dos músicos e dos intérpretes na formatação ideal do arranjo, uma obra coletiva, com piadas, opiniões, tentativas de encontro do timbre perfeito e a gravação propriamente dita.

É possível que das vezes anteriores que assisti o DVD não tenha dado conta da observação de Ney quanto à faixa Jesus, que lhe foi mostrada há bastante tempo e que na época ele não se achou seguro em efetuar o registro, a gravação daquela música. Compreende-se, pois hoje, a música pode ser vista com os olhos menos preconceituosos e mais descrentes, face os rumos comerciais tomados pelas religiões, em especial as evangélicas, em que a figura de Jesus foi e é banalizada a níveis incômodos para os mais crédeulos ou para aqueles reticentes quanto a tudo isso.

Em relação à música Jesus, que parece ter sido composta por um time de futebol, tal a quantidade de pecadores envolvidos na obra, pode ser vista como uma brincadeira em torno de sua divindade, o que seria uma blasfêmia, ou mesmo a desconstrução de uma imagem, o que não redimiria seus autores perante a comunidade cristã. Trechos da composição falam por si:
Dizem que Jesus morreu na cruz
mas eu tive com ele na Dutra, em Queluz
levava na cabeça um tabuleiro de cuscuz
cocada de céu, cocada de luz
cocada de céu, cocada de luz cocada de céééuuu...
....
Nós vamos tirar Jesus da cruz
porque o rapaz está pregado
naqueles pedaços de pau
há mais de dois mil anos
Vamos deixar ele com os pés
e as mãos livres
que ele vai pular, dançar
virar cambalhota
e fazer muito melhor.
Mas é muito melhor!
...
Jesus, Jesus,
Jesus, Jesus, Jesus.
Foto: Pedro Luís e A Parede

"Não vai ter Copa"


“E de repente o furor volta/o interior todo se revolta/e faz a força da gente se agigantar”, é como se os versos de Paulo Cesar Pinheiro, em Mordaça, canção que embalou nossa indignação contra a ditadura voltasse com outras motivações, como aquelas iniciadas em junho do ano passado. Ainda que não se perceba qualquer unidade ou liderança naqueles grupos que desencadearam os protestos por várias capitais brasileiras, mais concentrados no Rio e São Paulo, já se comenta que o povo estará na praça outra vez a partir do dia 25 de janeiro. Claro que a virulência e a agressividade dos manifestantes e dos policiais nas ruas daquelas capitais tinham um componente político contra as administrações municipais e estaduais e, que o mote do "passe livre" foi mero pretexto para a elevação do tom dos protestos nas ruas daquelas cidades.

Desta vez, a volta dos protestos terá como mote “Não vai ter Copa” que poderá unir manifestantes de Norte a Sul já que não faltará indignação para dar e vender diante da barbárie financeira que foram são e serão até lá, os gastos e custos que a população brasileira terá que arcar com este evento irresponsavelmente incensado e buscado por determinadas autoridades nativas. Não faltará motivação, talvez falte povo nas ruas para tomar porrada de policia, receber bomba de gás e spray de pimenta na cara, mesmo que o motor deste deprimente espetáculo de selvageria, os “black blocs” e a sua fúria anticapitalista, tenha sido isolado, segregado e deixado de lado dos protestos pertinentes. 

Evidente que determinados candidatos à sucessão da Presidente Dilma Rousseff fiquem com os olhos rútilos, esfreguem as mãos, babem de satisfação com as ruas tomadas de protestos, já que pelos seus olhares obtusos podem lhe carrear alguns dividendos eleitorais. E a vanguarda do atraso, o mais do mesmo, representados por Aecinho, Dudu e Marinão podem não ver o dia raiar como sonharam nas sombras de suas insignificâncias, tão oportunistas como os organizadores do famigerado evento.

Foto: Maracanã

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Primeiro domingo do ano.

Domingo, 05 de janeiro, na Igreja do Bonfim, nada a pedir, só a agradecer, juntamente com Moema, Camila e Bruno. Pedidos mesmos só os três que deixei em cada nó dado na fitinha do Senhor do Bonfim que amarrei na grade em torno do adro da secular Igreja.

Hoje, 07 de janeiro, tem inicio o novenário religioso da festa do Senhor do Bonfim, cujo encerramento se dará com a Lavagem, no dia 16, quinta feira. Evento que este ano já carrega uma polêmica a partir da criação de uma Lavagem de Corpo e Alma, pela Arquidiocese de Salvador, formada por entidades católicas que antecederá o cortejo das baianas. O contingente das baianas que já foi expulso do adro da igreja onde era de fato lavado por elas, hoje se limita a jogar água de flor nas escadarias e nos participantes da longa caminhada até o alto da colina, agora sofre mais esta desconsideração. “Meu pai Oxalá é o rei/venha me valer”.

Foto: Bruno Ventim