quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

No olho do furacão

Não me surpreendeu a inclusão da “cidade alegre” como uma das 100 piores para se viver no Brasil. A pesquisa foi baseada em dados oficiais dos ministérios do Trabalho, Saúde e Educação e leva em conta indicadores de uma qualidade de vida, inexistente, que só os que vivem por aqui sabem dessa indigência. A desigualdade entre as 100 melhores e as 100 piores é um dos tantos abismos existentes entre as regiões sul e norte, que mais uma vez joga em nossa cara, um sul próspero e saudável contra um norte/nordeste entregue a própria sorte.

Num primeiro momento pensei que os pesquisadores tivessem vindo constatar “in loco” esses fossos, o que seria impossível em mais de 5 mil municípios, o que até alivia a posição da “cidade alegre” no ranking da pobreza. A sociabilidade não entrou em questão, pois aí então o tombo seria maior, já que não haveria quantificação para a cafonice, para a arrogância dos novos ricos, para as botas sujas de lama de quem lida com bois magros e vacas idem, com a mesma desfaçatez com que transita como bípede, traindo os velhos e as velhas companhias.

Afinal, estar no mesmo balaio que Baixa Grande, Cansanção, Arataca, Lamarão, Queimadas entre outras nulidades, não parece condizer com o nariz empinado, a ausência do menor vestígio de vida em comunidade, a vaidade tosca de quem finge viver no melhor dos mundos. Mas, o que doe mesmo é ficar abaixo de Baixa Grande, logo eu que achava ser Baixa Grande o lugar de fato onde o vento tinha feito a curva, antes de virar o olho do furacão.

Foto: Ilustrada

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