quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Onde andará Padre Pinto!

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Há dez anos, quando o Padre Pinto, pároco da Lapinha, apareceu fulgurante em trajes de Oxum, a rainha das águas doces do candomblé, durante a missa que celebrava o dia de Reis, o Brasil e, até a Bahia, sempre acostumada a essas esquisitices, ninguém entendeu nada. Faltava a palavra certa para definir o ato revolucionário.

Tudo que aconteceu entre aquele 06 de janeiro e o final de abril de 2006 ficou conhecido como o Verão do Padre Pinto. Porque não houve fato que conseguisse suplantar o carisma daquela figura desafiadora de instituições do noticiário. Foi ao programa do , beijou Caetano no Festival de Verão, dançou com go go boys na Off Club, recebeu jornalistas pelado, se escondeu em um terreiro na Fazenda Grande do Retiro e lá quis até se iniciar no candomblé. Pirou!

Hoje, dizem, Padre Pinto está recluso no convento da sua ordem, não dá entrevistas e nem comenta o passado.  Ficou o gesto vigoroso de quem testou limites entre os gêneros, ao vestir-se de uma figura feminina em uma poderosa instituição patriarcal, entre religiões, denunciando a hipocrisia  de uma suposta tolerância religiosa e por fim transitou entre sanidade e loucura, quando deixou a razão se perder para finalmente ser quem desejava. Toda honra e toda glória a Padre Pinto, agora e para sempre.

Fonte: Revista Muito - A Tarde

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