domingo, 10 de maio de 2015

Vinicius

O documentário sobre Vinicius, de 2005, exibido recentemente pelo Canal Fox, traz algumas cenas que passaram despercebidas de quando vi pela primeira vez e, mesmo quando revejo em DVD. Como o filme é feito de depoimentos de compositores e amigos e muitas cenas de seus shows com os seus mais diversos parceiros e especialmente com Toquinho, em determinado momento Chico lembra a amargura do amigo com a crítica musical a seus infindáveis sambas com aquele parceiro.

Criticas, aliás, com as quais compactuava e dava ressonância ao comparar a dupla Toquinho e Vinicius com as mais que populares duplas Antônio Carlos e Jocafi, Tom e Dito, Dom e Ravel entre outras que tinham lugares cativos nas paradas de sucesso. Os sambas saiam aos borbotões, em escala industrial em detrimento da boa poesia, da letra ou melodia buriladas que eram a sua marca em outras parcerias a exemplo daquelas com Tom Jobim, Baden Powell ou Edu Lobo.

Talvez se devesse esta pobreza musical às limitações de Toquinho como criador de melodias, independente do virtuosismo de seu violão, um dos melhores do país, em que as canções saiam sob encomenda para trilha sonora de novelas ou pelo simples prazer de tocar no rádio custear o uísque nosso de cada dia. Mesmo torcendo o nariz para grande parte das composições da dupla, gosto de Escravo da alegria, Como dizia o poeta, Por que será, Tomara, Regra três, Tarde em Itapoan e mais “uma meia dúzia de três ou quatro”.

Foto: Toquinho e Vinicius

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