sábado, 12 de setembro de 2015

Gente estúpida, gente hipócrita!

Em uma dessas viagens noturnas da “cidade alegre” a Salvador, uma senhora procedente de Irecê se levantou em direção ao sanitário, tão logo o ônibus deixou a rodoviária e, dois ou três passos adiante desabou, desmaiou e ficou estendida no corredor do ônibus. Sua irmã aflita se levantou ao mesmo tempo em que eu, para socorrê-la. 

Uma passageira que também havia embarcado em Piritiba, era funcionária do Hospital e pediu que o motorista parasse no ponto em frente à casa de saúde, para que ela pegasse o estetoscópio, já que não havia médico de plantão naquele horário, mais de meia noite. Ela era enfermeira. Dentro do ônibus ela auscultou a paciente estendida no corredor e constatou que tinha havido uma queda de pressão e então providenciou água, café e aos poucos a paciente foi se recuperando, se levantou, ocupando a sua poltrona, na frente, ao meu lado, e a viagem seguiu sem sobressalto, até aqui.

O mais triste da história foi o comportamento dos passageiros cujas poltronas ladeavam a passageira deitada no corredor, sem esboçar qualquer reação de ajuda, de solidariedade, de espanto enfim. Permaneciam impassíveis, dormindo ou fingindo dormir, simplesmente indiferentes a toda aquela movimentação de alguns poucos e solidários passageiros.

Ontem, ao fazer o mesmo percurso, um passageiro desceu na rodoviária de Feira para tomar um cafezinho, quando se ouviu, logo depois, um forte tombo e um grito. Uma senhora próxima a mim levantou espantada, gritando: “foi ele, foi ele” e desceu do ônibus, no que a acompanhei. O homem estava deitado se contorcendo em dores, causado por uma queda em razão de sua falta de firmeza em um dos joelhos, proveniente de problemas reumáticos. O que se passou a seguir não difere muito da situação anterior, para a minha angústia e mal estar até, felizmente, chegar em casa.

Pessoas como aquelas que foram testemunhas omissas do sofrimento alheio pode se formar qualquer coisa, uma quadrilha que explode bancos; uma administração municipal ou federal; uma banda de funk ou pagode baiano; um ex-craque pentacampeão do mundo; uma manifestação de “coxinhas” contra a presidente, enfim qualquer coisa mesmo. Jamais, uma cidade, um estado, um país. “Gente estúpida, gente hipócrita!”

Foto: Ilustrativa

                                                                                                                                                      

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