segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Uma vez Flamengo, sempre Flamengo

Certa feita, num sábado vazio e lento, fomos com o amigo e companheiro de pensionato, João Neto, um abusado e apaixonado flamenguista, como convém a todo torcedor do Flamengo, visitar o nosso time que estava de passagem pela cidade. Hospedado no Hotel Oxumaré, na ladeira de São Bento, o “Mengo” iria fazer uma partida amistosa com o Esporte Clube Bahia.

O nosso Flamengo trazia como grande atração, o jogador Berico, recém contratado junto ao Guarani de Campinas, como a maior revelação do campeonato paulista daquele ano. Berico era um crioulo alto e forte, tipo estivador, alegre e desembaraçado, que parecia trazer na boca mais dentes que comportava a sua arcada dentária. Cada frase que Berico tentava articular trazia além do sotaque de caipira campineiro, um atentado à língua mãe extensivo a toda parentalha latina. 

Domingo, Fonte Nova lotada e nós lá, engrossando a torcida daquele que seria nosso segundo clube: O Vitória. O time do Bahia possuía uma dupla de zagueiros formada por Henricão e Roberto Rebouças que atuava como empregados, “fugidos e mal pagos”, do Nina Rodrigues. Um esquartejava e o outro dissecava, ante o olhar complacente do juiz, que atuava sob a ameaça de possíveis sopapos de Osório Vilas Boas, o xerife do lugar.


Numa dessas investidas, logo nos primeiros minutos da partida, mandaram Berico de volta para a casa da sua genitora, em Campinas. E nunca mais se soube de Berico, nem de seu autógrafo digital, segundo a constatação de João Neto sobre o analfabetismo do craque rubronegro.    

Foto: Ilustrativa

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