sexta-feira, 29 de julho de 2016

Um mar pra Minas

Há uns versos de um poeta mineiro, cujo nome desconheço e diz que “O mar geme e chora em doridos ais/só porque não banha Minas Gerais” ou algo próximo desta melancolia mineira, desta aflição marítima que a natureza ou a divisão da colônia em capitanias hereditárias não legou a Minas.

Algum tempo atrás, os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo aventaram a possibilidade de fornecer a Minas uma saída para o mar. Não seria a concessão de uma praia, para os mineiros invadirem como fazem com Porto Seguro ou Guarapari, mas uma faixa de terra naqueles estados que permitiria a Minas a construção de um porto para o escoamento de sua produção de minério.

A simpatia que nosso estado e nós baianos temos por Minas e os mineiros, bem que poderia ser materializada com a entrega, venda ou doação de uma nesga de nosso litoral, lá no fim da Bahia, próximo a Caravelas, para que nossos amigos mineiros pudessem fazer seus piqueniques e serenatas. 

Desde que o caminho de ferro que ligava Minas ao mar foi aterrado, como canta Milton em sua dolente e bela canção Ponta de areia, o mar definitivamente deu adeus a Minas, assim como a estrada de ferro. "Ponta de areia, ponto final/Da Bahia-Minas estrada natural/Que ligava Minas ao porto ao mar/Caminho de ferro mandaram arrancar".

Foto: Ilustrativa

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