segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

No bloco do eu sozinho.


Há certos exames de laboratórios que nos causam embaraços, quase constrangimentos a depender do grau de timidez e da pouca esportividade que o paciente possa ter para enfrentar estes percalços em busca da correção de possíveis desvios da fisiologia humana. Um desses exames é o espermograma que faz o mais sisudo dos mortais se transformar no mais relé galhofeiro conforme a frequência com que tenha de se submeter à prática do eu sozinho. Já passei por isso, e sei.

A fixação em ser pai, logo após o casamento, levou o ginecologista de minha esposa a sentenciar: “a senhora está apta para a procriação, problemas se há é com seu esposo, peça que ele procure um urologista”. Curto é grosso sem nenhuma sutileza foi o veredicto do doutor. Também não titubiei e parti para o sacrifício. Com as recomendações de praxe o exame foi marcado para a semana seguinte. No dia e horário fixado me dirigi ao laboratório, imaginando o que poderia me esperar na sala onde ficaria para coletar o material necessário para realização deste exame. Sonhei com uma auxiliar estimulante, um filme pornô, revistas de sacanagem ou nada disso e que me virasse de acordo a minha capacidade criativa. Foi esta a opção, não bem uma opção, mas o que era possível, o que havia de disponível, que me virasse de acordo com a minha imaginação. Nada de dengo, nem gracinhas, simplesmente, se vire.

Por incorreção na realização destes exames ou por os mesmos não terem alcançado nem revelado o resultado pretendido, eles forem se sucedendo com uma frequência que a atendente já me recebia com um riso de canto de boca entre o cinismo e a gozação. Certa feita perguntei se não poderia trazer o material de casa e apenas entregá-lo na recepção do laboratório. Concordaram que sim, mas foi pior. Saí de nosso apartamento na Vila Laura em direção ao Canela, de taxi, levando no vaso coletor o material obtido na tranquilidade de casa. O sacolejo provocado pelas avenidas esburacadas da cidade e a urgência pedida ao taxista até o laboratório, de que fosse o mais rápido possível fez com que o material saltasse do coletor invadisse a caixa e derramasse sobre a minha camisa. Um desastre. Sem jeito voltei ao laboratório.

Felizmente, já estava tão desavergonhado que era chegando, coletando, entregando e saindo e voltando para pegar o resultado. E ele, o resultado, levou o urologista a confirmação de que tinha varicocele e que teria de me submeter a uma cirurgia. Tranquilo, perguntei se ele faria este procedimento e com a sua concordância, no dia e horário marcado dava entrada no Santa Isabel. Final de abril principio de maio daquele ano tive alta, para em setembro, em Fortaleza, em uma viagem pelo Nordeste receber a noticia de Moema. de que seria pai. Tratamos de arrumar as malas e voltar prá casa, nada de sacolejos, nem movimentos que pudessem comprometer a integridade da cria. Ufa!  
 
Charge: Zoado       

2 comentários:

  1. QUE HISTÓRIA BOA DA PORRA. FINAL FELIZ.

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  2. Pois é, caro amigo, a vida dura. Uma recente crônica do Antonio Prata me trouxe lembranças da busca pela paternidade.
    Abraços

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