quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Samba Dobrado de Rosa Passos.


Há alguém que diz “se não for virtuoso, não me acompanha” pode parecer presunçoso, excesso de imodéstia, mas apenas revelador do profissionalismo de quem busca a essência da música e o entorno luxuoso para seu principal é único instrumento de trabalho, que é a sua voz. Rosa Passos não cultiva a modéstia, naquilo que ela tem de piegas, de jogar para a plateia, quer o melhor para si e para os que a acompanha, infelizmente, em nosso país em quantidade inversamente proporcional ao seu talento, bem melhor e mais bem avaliado nos Estados Unidos, Europa e Japão.

Em seu novo trabalho, Rosa se debruça sobre a obra de Djavan, naquilo que ela tem talvez de mais óbvia, de previsível em alguns momentos, chegando mesmo a ser uma espécie de lado B de suas canções, com regravações que outra artista jamais se arriscaria a interpretar, como Samurai, Pétala, Fato Consumado, Faltando um pedaço, Linha do Equador que parecem exauridas por execuções maciças na voz do próprio autor e de outros interpretes. Porem, por outro lado, aquelas canções caem como uma luva para o balanço que a voz de Rosa imprime e que a música de Djavan se presta com perfeição, pois dotada de um suingue, de um molejo nacional, para as divisões surpreendentes da grande intérprete. Tudo parece resolvido se atentarmos que o grande mercado e público de Rosa Passos está longe daqui, fazendo todo sentido o repertório escolhido, mais uma vez, previsível, sem deixar de ser uma novidade para o seu alvo.

Sem dúvida estará em meu MP4 as canções Pára-raio, Lei (linda!) além de Doce menestrel de autoria de Rosa e de seu companheiro Fernando de Oliveira, uma declaração de amor, uma homenagem singela e bem acabada ao autor das músicas que compõe Samba Dobrado, o super balanço desta baiana que o mundo lá fora adotou.
 
Quanto ao confesso virtuosismo dos músicos que formam a sua banda, nunca foi tão apropriada a declaração do inicio do texto, já que não outra para definir o talento de Lula Galvão, violão; Jorge Helder, baixo acústico; Fábio Torres e Hélio Alves, piano; Marcus Teixeira, violão e guitarra entre outros, numa unidade em que a voz de Rosa é tão somente mais um instrumento a cobrir e colorir as canções de Djavan.
PS: Mirinha, foi assim que senti o novo disco de Rosa, cuja cópia consegui esta semana.
 
Foto: Rosa Passos

Nenhum comentário:

Postar um comentário