domingo, 26 de agosto de 2012

Ficha limpa, mas nem tanto...

O conceito e a implantação do instrumento jurídico da ficha limpa ou não, foi um importante passo em defesa da moralidade democrática em um país como o nosso em que as instituições públicas costumam ser tratadas como mais um cômodo das residências de seus gestores. Mas como qualquer conceito, a ficha limpa tem a sua amplitude, “na lata do poeta tudo/nada pode caber”, tanto pode derivar de uma nota fiscal não apresentada em uma prestação de contas, como por improbidade administrativa mesmo, a nossa velha e conhecida roubalheira nacional. Ou até por recusa em analisar ou aprovar as contas de gestor municipal cuja Câmara de Vereadores lhe é hostil e notadamente incapaz de qualquer gesto legislativo que não aquele de se atrelar à saia ou as botas do prefeito em busca de um tanque de gasolina, o ressarcimento de uma prosaica compra de remédio para seus familiares, de uma viagem um jatinho a serviço do executivo ou pelo puro prazer de ser servil, puxa-saca, capacho.

A cidade alegre vive um momento de tensão em sua campanha eleitoral para a prefeitura. Da acusação a um candidato de ser ficha suja e ter se tentado junto aos tribunais o impedimento de sua candidatura, descobriu-se em fatos recentes, em termos de divulgação, de vir a tona, já que tão antigos como a mais antiga das profissões, que a ficha suja mesmo estava e está do lado do acusador. Aquela coisa do telhado de vidro, do rabo de palha etc e tal. A ser verdade o que se divulga e se propaga e, em caso de acatamento das denúncias proferidas junto à esfera jurídica, não haverá posse em caso de vitória o que pelo andar da carruagem é uma miragem, algo distante e que não deverá ocorrer. “É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.

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