quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O silêncio dos culpados.

O plenário da Câmara de Deputados que poupou de cassação o mandato do deputado federal e presidiário Natan Donadon, de Rondônia, buscou se redimir, desenterrando um projeto que dormia na pauta de votações do Legislativo e que tornava aberta todas as votações da instituição. Numa euforia corporativista e de quem não se sente deputado-presidiário, embora a grande maioria tenha culpa no cartório e em instâncias judiciais nos mais remotos cantos do país, todos lavaram a roupa suja em casa e se regozijaram com seu próprio gesto. Mas a redenção foi só aparente, só um jogo de cena, pois sorrateiramente empurrou para o Senado, que também deverá votar o projeto, a decisão final daquela votação na Câmara.

O Senado Federal já deu mostra que remendará o projeto, tornando a votação aberta apenas para cassações de mandatos, mas que as decisões do Supremo Tribunal Federal-STF que interfiram em ações da Câmara, naquilo que sejam exclusivas do Poder Legislativo, deverão continuar sendo secreta. Eles sabem o que fazem e, como deputados federais e futuros presidiários não querem se indispor com a instituição e seus ministros, permanecendo no anonimato o seu voto, já que um dia, breve dia, precisará do paternalismo e da compreensão do STF, para os seus delitos. 

Também deverão continuar no obscuro terreno de quem votou o quê, as votações que decidam sobre os vetos presidenciais a projetos votados pelo Congresso Nacional, pelas mesmas razões, agora de não se indispor com a Presidência da República de que se dizem aliados ou pela cuia que rondará os ministérios atrás de verbas para ações em suas bases eleitorais. Fingem que mudam para continuarem os mesmos.

Charge: Nani

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