terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O fado vive!


O jornal português PUBLICO, editado em Lisboa, traz semanalmente um suplemento literário dedicado ao cinema, música, comportamento, literatura com a profundidade analitica além do jornalismo on-line, a exemplo do que já fizera alguns jornais brasileiros, mas que hoje talvez se resuma a Ilustríssima da Folha ou o caderno Aliás, do Estadão, aos domingos.

Recentemente o PUBLICO fez uma parceria com a Revista da Cultura para a reprodução deste suplemento, o ipsilon, encartado à revista daquela livraria, o que já aconteceu em maio, julho e agora em novembro deste ano. A interessante publicação tem como linha editorial, entre outros aspectos, a manutenção das diferenças na linguagem escrita e falada entre os dois países, sem querer adequar o português de Portugal ao falado entre nós, já que o propósito é o estreitamento destes laços linguísticos e culturais entre o descobridor e a descoberta.

O número de novembro que recebi com o exemplar da Revista da Cultura traz uma reportagem sobre o fado após a morte da fadista Amália Rodrigues, há 15 anos, cuja grandeza e brilho inibiu o surgimento de novas cantoras. Aliado a esta reverência ao mito da grande fadista, há ainda uma forte carga conservadora associada ao período ditatorial vivido por Portugal durante décadas e, expresso também em sua voz nostálgica e passional. 
O fado ainda traz esta melancolia, esta tristeza, mas com outros nomes que buscam a modernidade, outras sonoridades para o fado e, o contato com a música brasileira tem sido exemplar, como são os casos de Antonio Zambujo, da cantora Carminho e Gisela João que iluminam a ainda triste canção portuguesa. 

Foto: ípsilon

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