domingo, 21 de dezembro de 2014

Soltando a voz nas estradas

Na rua onde moramos existe uma pizzaria com um remanescente do que há de mais cafona e brega que a tecnologia foi capaz de inventar nestes últimos anos: o karaokê. O cara ou a cara não satisfeito em externar sua desafinação e mau gosto musical entre as quatro paredes do box, vem expô-los a quem somente quis comer uma pizza, tomar um vinho, uma cerveja. Deixar os seus ouvidos à salvo de berros, desencontros e falta de sincronia entre o que mostra a legenda e sua desastrada voz, correndo atrás como um maratonista ofegante.

O drama aumenta quando a vítima é um “lenga-lenga” sertanejo ou um samba de pagodeiro “joia”, pois se um já é demais, imagina dois, três, a torcida do Vitória fazendo segunda voz, atropelando outras vozes na intenção de ser a voz guia, aumentando a balburdia musical. Já sugeri ao dono que ao invés dessa gritaria eletrônica, colocasse música ao vivo, voz e violão algo mais audível; ele alegou questão de custo e a perda de uma clientela já fiel, e a minha frequência que já era pouca tende a desaparecer. Então tá!

Foto: Ilustrativa

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